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Entenda por que cobras têm aparecido em áreas urbanas de SC

28/10/2021 08h28
Somente em Jaraguá do Sul, mais de 250 serpentes foram capturadas em 2021. Ao menos três fatores explicam as aparições.
Entenda por que cobras têm aparecido em áreas urbanas de SC

Elevação da temperatura, construções próximas à região de mata e destruição do habitat natural são fatores que ajudam a explicar, segundo especialistas, as aparições de serpentes em áreas urbanas das cidades de Santa Catarina.

Nesta semana, uma jararaca albina e outra serpente da mesma espécie, mas de tamanho raro, foram capturadas dentro de casas em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense.

 

"Santa Catarina, de maneira geral, é um estado onde temos muitos registros em áreas urbanas de serpentes. Elas ocupam os ambientes urbanos por dois motivos principais: para refúgio e em busca de alimentos", explica o biólogo e professor universitário Jackson Preuss.

Jararacuçu é uma espécie de cobra peçonhenta encontrada em SC — Foto: Jackson Preuss/ Arquivo Pessoal

Segundo o biólogo da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) Christian Raboch, no Brasil há cerca de 400 espécies de serpentes e cerca de 15% delas são peçonhentas.

Em Jaraguá do Sul, mais de 250 serpentes foram capturadas em meio urbano neste ano.

 

"As cobras peçonhentas mais comuns que temos na região Sul são as jararacas, jararacuçu e coral verdadeira. A maioria das serpentes que resgatamos na nossa região [em Jaraguá] não tem peçonha. A cada dez cobras resgatadas, oito delas não tem peçonha", afirma Raboch.

Bothrops jararaca é responsável por grande parte dos acidentes no Brasil em áreas urbanas, segundo o biólogo Jackson Preuss  — Foto: Jackson Preuss/ Arquivo Pessoal

De acordo com o biólogo e professor universitário Jackson Preuss, quando o encontro entre serpentes e seres humanos acontece, pode trazer impacto negativo para ambos.

"As serpentes normalmente não atacam, elas se defendem. No Oeste catarinense, venho percebendo um aumento no registro de aparecimento. E isso se dá por dois fatos: ou pelo aumento da perda de habitat ou por uma conscientização maior das pessoas que estão identificando esses animais e chamando o órgão ambiental para o resgate", afirma.

Biólogo e uma jararaca capturada no domingo (24) em Jaraguá do Sul — Foto: Christian Raboch/Arquivo Pessoal

Calor

 

O aumento das temperaturas também contribui para o aparecimento das serpentes em ambientes urbanos.

"Elas são animais em que o metabolismo é diretamente influenciado pela temperatura do ambiente. Então com o aumento das temperaturas o número de registros e de encontros também aumentam. E consequentemente a chance de acidente também", explicou Preuss.

Cobras da espécie dormideira não são peçonhentas — Foto: Christian Raboch/Arquivo Pessoal

Perda de habitat

 

A perda de habitat natural destes animais, motivada muitas vezes pelo processo de urbanização e queimadas, faz com que as serpentes procurem outros locais para habitar.

"A construção de cidades e de lavouras força esses animais a se deslocarem por regiões maiores, que acabam muitas vezes buscando alimentos em locais mais fáceis de conseguir isso, como as cidades onde há muito roedores", explica o biólogo Preuss.

Jararaca-pintada é encontrada em SC e causa ocorrências no estado — Foto: Jackson Preuss/ Arquivo Pessoal

Construções próximas aos locais de mata

 

Para Raboch, o aparecimento das serpentes também está relacionado com construções próximas de áreas de mata.

"Em Jaraguá do Sul, onde cerca de 40% do território tem Floresta Atlântica, onde as nossas construções estão inseridas no meio de uma floresta, praticamente, torna o aparecimento das serpentes mais frequente. E isso não é porque a serpente quer entrar na nossa casa. É porque ela quer procurar alimento", afirma.

Cobra foi encontrada próximo do portão da casa que fica em Jaraguá do Sul — Foto: Christian Raboch/ Arquivo pessoal

Importância das serpentes no ecossistema

 

As cobras são importantes predadores no ecossistema e fazem o controle de roedores. A eliminação deste tipo de animal, segundo os biólogos, causaria um impacto muito negativo na dinâmica dos ecossistemas.

Além disso, as serpentes também são reconhecidas como importantes fontes de pesquisa.

"Foi criada do veneno das jararacas o remédio mais utilizado no mundo de combate à hipertensão. A partir do veneno da cascavel foi criada uma cola biológica usada em cirurgia e um anestésico dez vezes mais potente que a morfina", disse Raboch.

O que fazer em caso de picada?

 

 

  • Caso seja picado por uma cobra, não se deve amarrar o local. Segundo o biólogo Christian Lempek, o torniquete pode aumentar o risco de necrosar o local e resultar até em amputação;
  • não se deve cortar o local, fazer perfurações ou sucção;
  • o local da picada deve ser lavado com água e sabão;
  • a vítima deve ser levada o mais rápido possível ao hospital;
  • é importante tentar identificar a serpente (pode ser por foto, se possível) pois isso facilitará para escolha do soro antiofídico a ser aplicado.

 

 

Onde ligar

 

 

  • Entre em contato com os Bombeiros (193) ou com a Polícia Ambiental da sua cidade (190);
  • Em caso de acidente com serpente, entre em contato com o Samu (192), os Bombeiros (193) ou se dirija ao hospital público mais próximo;
  • Em caso de dúvidas ou orientações sobre procedimentos de primeiros socorros, ligue para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC), pelo telefone: 0800 643 5252.
  • O telefone da Fujama é (47) 3273-8008, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17 horas.

Autor: Carolina Fernandes, g1 SC

Fonte: g1.globo.com