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'Ela cometeu suicídio. Não há dúvida’, diz sobrinha de juíza encontrada morta em Belém

18/05/2022 18h41
Juíza Mônica Andrade foi encontrada pelo marido dentro do carro, morta, na segunda, 16. Segundo a sobrinha, imagens de câmera de segurança confirmam o suicídio. A Divisão de Homicídios investiga o caso.
'Ela cometeu suicídio. Não há dúvida’, diz sobrinha de juíza encontrada morta em Belém

Monique Andrade, sobrinha da juíza Mônica de Oliveira encontrada morta com um tiro no peito, afirmou nesta quarta-feira (18) que imagens de câmeras de segurança do prédio indicam que a magistrada cometeu suicídio. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso, que segue sob sigilo de Justiça.

Segundo a sobrinha, o prédio onde a magistrada morava tem muitas câmeras no estacionamento, que captam vários ângulos.

 

“As imagens revelam ela saindo do apartamento com algumas malas. Ela caminha lentamente pelo estacionamento, até o carro. Depois se direciona para o banco do passageiro, na frente do veículo. Depois de longos minutos, ela comete suicídio. É nítido. É claro. Não há dúvida”, afirma Monique Andrade.

 

Monique, que também é advogada, confirma que a arma utilizada era do juiz João Augusto Figueiredo de Oliveira Júnior. “Ela se utilizou de uma arma que o esposo dela possui e que sempre está dentro do carro, no porta-luvas”, diz.

De acordo com a sobrinha, a juíza Mônica de Oliveira fazia acompanhamento psicológico e uso de algumas medicações.

 

“Ela era uma pessoa extremamente normal, extremamente calma, exercendo a profissão dignamente, exercia seu papel de mãe dignamente e de irmã. Ela devia estar sofrendo e não conseguia se abrir com ninguém”, relata.

O corpo de Mônica de Oliveira deve sair de Belém às 17h desta quarta e, ainda segundo a sobrinha, o enterro será em Barra de Santana, na Paraíba, local de nascimento da vítima.

 

Velório

 

O corpo da juíza Mônica de Oliveira foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) por volta das 4h desta quarta-feira (18) e começou a ser velado em uma capela na rua Domingos Marreiros, no bairro do Umarizal, em Belém. Haverá também um velório na Paraíba, onde ela nasceu, com familiares e amigos.

magistrada foi encontrada morta com tiro no peito dentro do carro. O marido, juiz do Pará João Augusto Figueiredo de Oliveira Júnior, entrou no veículo, onde estava o corpo da juíza, e dirigiu até a delegacia em Belém . Ele afirmou que a morte foi suicídio em um "momento de fraqueza".

A Polícia Civil do Pará não deu detalhes, mas informou que realizou diligências, como o registro da ocorrência e a requisição de perícias, "dentro das suas atribuições legais", e afirmou que já encaminhou o caso para o Poder Judiciário (veja a íntegra da nota polícia ao final da reportagem).

Segundo uma parente da juíza, a família está preparando traslado do corpo para a Paraíba, onde será enterrado.

A parente também informou que foi feito o reconhecimento e autorização da preparação para envio para o outro estado. Até por volta das 9h, a família ainda providenciava o envio.

Corpo de juíza é velado em Belém e será enviado à Paraíba. — Foto: Mônica Chagas / TV Liberal

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) divulgou uma nota informando que o promotor de justiça Luiz Márcio Cypriano, da Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial de Belém (PJCEAP), vai acompanhará o inquérito policial instaurado para apurar o caso.

O promotor foi designado pelo Procurador-Geral de Justiça, Cesar Mattar Jr., ainda na terça-feira (17).

A Associação dos Magistrados do Pará (Amepa) lamentou a morte da juíza e disse que ela atuava na 38ª Zona Eleitoral de Martins, no estado do Rio Grande do Norte.

Em nota, a Amepa ainda pontua que o juiz João Augusto Figueiredo de Oliveira Júnior, esposo da juíza e quem levou o corpo até a Divisão de Homicídios, é associado da entidade.

 

"Ao mesmo tempo em que aguarda o isento e total esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes, a Amepa apresenta sinceras condolências ao associado e aos familiares e amigos da falecida", afirma.

O juiz João Augusto Figueiredo de Oliveira Júnior estava casado há 2 anos com a juíza Mônica Maria Andrade  — Foto: Reprodução do Jornal Nacional

Entenda o caso

 

Mônica Maria Andrade Figueiredo de Oliveira foi encontrada morta em um carro estacionado no prédio onde morava com o marido, em Belém.

Segundo o marido, os dois possuíam residência em Campina Grande (PB) e em Belém, e se dividiam entre as duas cidades. Mônica Andrade era era natural de Barra de Santana(PB) e juíza na cidade de Martins, no Rio Grande do Norte.

"Nós moramos aqui [Belém] e em Campina Grande, ela vem para cá, eu vou para lá, e assim sucessivamente. Nesse momento ela estava aqui", conta.

Juiza morre misteriosamente em Belém  — Foto: Reprodução do Jornal Nacional

O corpo da vítima apresentava um ferimento causado por arma de fogo e foi levado pelo próprio marido à delegacia.

De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO) registrado por José Augusto, por volta das 22h30 da segunda-feira (16), os dois tiveram uma discussão momentos antes de a juíza descer. Consta no BO que o juiz contou que “teve uma pequena discussão acerca do relacionamento”.

Ainda em depoimento à polícia, ele disse que “ao se aproximar do carro, percebeu que sua esposa tinha cometido suicídio e, para isso, usou a arma de fogo” dele, que "sempre fica guardada dentro do carro".

 

Os juízes estavam casados havia dois anos. Mônica deixa dois filhos do primeiro casamento.

Investigação

 

A Polícia Civil do Pará informou que o caso é investigado pela Divisão de Homicídios e que "está adotando todas as medidas cabíveis para a elucidação do ocorrido". A Polícia Científica foi acionada para a remoção do corpo.

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) informou que ainda não vai se manifestar sobre o caso.

Veja a íntegra da nota da Polícia Civil:

A Polícia Civil do Pará informa que realizou, dentro das suas atribuições legais, diligências referentes ao caso, como o registro da ocorrência e a requisição de perícias. O caso foi remetido ao Poder Judiciário, que é órgão responsável por dar sequência à apuração, com a adoção das medidas cabíveis conforme legislação pertinente ao órgão.

Autor: g1 Pará/TV Liberal

Fonte: g1.globo.com