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Digitais, genética forense e laudos: Como o IGP identificou 19 pessoas na cena do assalto ao banco de Criciúma

01/12/2021 06h58
Ação criminosa começou por volta das 23h50 de 30 de novembro do ano passado e terminou duas horas depois, já na madrugada de 1º de dezembro.
Digitais, genética forense e laudos: Como o IGP identificou 19 pessoas na cena do assalto ao banco de Criciúma

O trabalho de perícia para identificar os criminosos que realizaram o maior assalto a banco em Santa Catarina ao cercar a cidade de Criciúma, no Sul, há um ano, revelou nomes de 19 pessoas na cena do crime. Os resultados foram obtidos a partir de impressões digitais, investigações genéticas e produção de mais de 60 laudos pelo Instituto Geral de Perícias (IGP).

A ação começou por volta das 23h50 de 30 de novembro do ano passado e terminou duas horas depois, já na madrugada de 1º de dezembro, com os criminosos levando cerca de R$ 125 milhões da tesouraria do banco, localizada na região central da cidade.

Dos identificados, 15 foram através do chamado 'Confronto Papiloscópico', que coleta impressões digitais nas cenas dos crimes, segundo o IGP.

A perícia também chegou ao nome de outros quatro envolvidos após realizar exames de 'Genética Forense', que compara vestígios e objetos deixados na cena do crime com os dados do Banco Nacional de Perfis Genéticos. No dia do assalto, os peritos também recolheram sangue encontrado em carro abandonado pelos assaltantes em Nova Veneza, na mesma região.

A Polícia Civil, no entanto, que indiciou 18 pessoas após o roubo, informou que o total de identificados pelo IGP pode não corresponder ao número de envolvidos no crime.

"Muitas vezes são identificadas digitais nas cenas do crime de pessoas que não têm relação alguma com a autoria do crime. A 19ª pessoa não é uma das suspeitas pela autoria do assalto", informou o delegado Anselmo Cruz, responsável pela investigação do caso.

Ao longo de um ano, o IGP emitiu 65 laudos relacionados ao caso, nas áreas da criminalística e medicina legal. Além das coletas biológicas, o instituto realizou exames de disparo de arma de fogo, identificação de adulteração de veículo. Foram feitas ainda análises em equipamentos eletrônicos e documentos.

Carros apreendidos foram usados pelos criminosos para fuga após o assalto em Criciúma, segundo polícia — Foto: Diorgenes Pandini/NSC

Assalto em Minas Gerais

 

Em 31 de outubro, 26 suspeitos de assaltos de banco foram mortos em Varginha (MG). Segundo a Polícia Civil daquele Estado, há suspeita do envolvimento deles com o caso em Criciúma. Amostras de DNA coletadas no local podem confirmar se os suspeitos estiveram no Sul catarinense.

Questionado sobre a relação entre os mortos e os assaltantes que atacaram Criciúma, o delegado Anselmo Cruz descartou qualquer ligação até o momento:

Com relação à Varginha, até o momento, não há nenhum dado que comprove relação com o roubo de Criciúma. Inclusive a maioria dos mortos de lá em confronto eram de Minas Gerais mesmo, disse o delegado.

 

As investigações continuam em sigilo.

Bandidos fortemente armados assaltaram uma agência do Banco do Brasil no centro de Criciúma, em Santa Catarina na madrugada desta terça-feira (1º) — Foto: Fernando Ribeiro/Futura Press/Estadão Conteúdo

Investigações

 

Atualmente, há duas investigações sigilosas já em curso na Justiça catarinense sobre o caso. Uma delas, resultou em denúncia do Ministério Público de Santa Catarina contra 16 suspeitos por organização criminosa. A outra fez 12 homens virarem réus (dez deles já citados no primeiro inquérito) pela prática de roubo qualificado com o resultado de lesão corporal grave, dano qualificado e incêndio.

No total, 10 estão presos e dois foragidos. No início do mês, seis acusados no primeiro processo criminal receberam liberdade provisória. Aos investigados, houve a imposição de medidas cautelares diversas da prisão.

Assalto a banco em Criciúma ocorreu em 2020 e as investigações seguem em andamento — Foto: Diorgenes Pandini/ NSC

Munições

 

No assalto, cerca de 30 homens com armas de grosso calibre cercaram a área central da cidade, provocaram incêndios, bloquearam ruas e acessos e fizeram disparos para todas as direções. Também foram feitos reféns durante a ação.

Logo após a ação, o IGP recolheu dezenas de cartuchos de munições e explosivos deixados pelo grupo no chão. Procurado pelo pelo g1 SC, o órgão informou que não passa a quantidade de objetos recolhidos.

Policiais em frente ao banco, alvo de ataque criminosos em Criciúma — Foto: Diorgenes Pandini/ NSC

A reportagem também procurou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Criciúma, que faz parte da força-tarefa designada para acompanhar o assalto, que informou que não foi identificada a origem das armas e explosivos usados no assalto.

Munição usada pelos criminosos durante assalto em Criciúma — Foto: Reprodução/ NSC TV

Autor: Caroline Borges, g1 SC

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