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Dez capitais têm lotação acima de 90% nas UTIs

10/06/2021 09h40
Cidades turísticas tiveram festas clandestinas e aglomerações no feriado
 Dez capitais têm lotação acima de 90% nas UTIs

Campo Grande, Curitiba, Aracaju, São Luís, Recife, Palmas, Natal, Rio de Janeiro, Fortaleza e Maceió vivem em cenário crítico após Corpus Christi.

curitiba, porto alegre, ribeirão preto, são paulo, recife, rio de janeiro, brasília e salvador A pressão por leitos para pacientes com Covid-19 fez com que fosse a dez o número de capitais em situação crítica, com ocupação acima de 90% nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) do sistema público de saúde.

O crescimento da procura se deve ao aumento de registro de infectados pelo coronavírus e pelo ritmo lento da vacinação. Para piorar, aglomerações ocorreram em várias cidades durante o feriado de Corpus Christi, o que deve agravar o cenário em breve.

Uma das capitais em situação de colapso, Curitiba registrou na última segunda-feira (7) ocupação de 102% dos leitos de UTI. Vagas improvisadas foram criadas para atender a pacientes graves.

Em todo o estado do Paraná, a ocupação de UTIs continua acima de 95%, mesmo com a criação de 26 novas vagas na última semana. A fila de espera é a maior do país, segundo levantamento da Folha, com 639 pacientes.

Mesmo com hospitais lotados, parte da população segue ignorando os protocolos de proteção. A Polícia Militar do Paraná teve que dispersar 770 aglomerações durante o feriado. Apenas em Curitiba, foram 97 ações policiais.

Também houve flexibilização da abertura de atividades econômicas na capital paranaense por pressão de empresários. Desde 29 de maio, o comércio local só podia funcionar para entrega e retirada e apenas serviços essenciais podiam atender normalmente. Mas ante a proximidade do Dia dos Namorados, a prefeitura abrandou as medidas a partir desta quarta-feira (9).

Segundo o prefeito Rafael Greca (DEM), a queda do fator de transmissão do vírus e a diminuição no número de internamentos levaram ao novo decreto. “Esperamos que tenha sido essa bandeira vermelha a última dessa longa provação, mas não hesitarei de fazer nova bandeira vermelha se for necessário porque nosso principal objetivo é salvar vidas”, disse.

O governo do Paraná recomendou que quem viajou para Santa Catarina no feriado faça exame para detectar eventual infecção pelo coronavírus, já que as praias catarinenses estão abertas enquanto grande parte do litoral paranaense instalou barreiras sanitárias.

Em Santa Catarina, houve aumento na taxa de ocupação de UTIs em sete dias, de 91% para 95%. Alta relevante foi identificada em Florianópolis, onde 67% dos leitos estavam ocupados na semana passada e agora já são 89%.

Durante o feriado, foram registradas festas e aglomerações na região litorânea.

O cenário também continua crítico em Mato Grosso do Sul, que tem 108% de ocupação nos leitos para pacientes graves com Covid-19 e teve que adotar medidas extremas como a transferência de doentes para outros estados.

Nesta segunda-feira (7), o estado tinha 293 pacientes à espera de leitos especializados. Ao todo, 16 pacientes de Covid-19 foram para os estados de São Paulo e Rondônia —dois deles morreram.

Na capital, Campo Grande, a taxa de ocupação continua subindo e chegou a 105%, com 141 pacientes estão na fila de espera.

A prefeitura tem buscado alternativas para conter o avanço da pandemia, como a realização de testes RT-PCR por demanda espontânea para frear o contágio por meio de pessoas assintomáticas.

Situação crítica também no Nordeste, onde festas de São João foram canceladas pelo segundo ano consecutivo. Seis das nove capitais da região têm ocupação acima de 90%: Aracaju, São Luís, Recife, Natal, Fortaleza e Maceió.

Em Alagoas, que apresentava situação mais controlada em relação a outros estados da região, a taxa de ocupação de UTI para pacientes com Covid-19 continua acima dos 90%. Na capital, Maceió, o índice subiu de 89% para 90%.

Pernambuco mantém um cenário difícil. Há mais de três meses, a taxa de ocupação de UTIs está acima dos 90%. Nesta segunda-feira, 97% dos 1.750 leitos na rede pública estadual estavam com pacientes. A fila de espera tem 143 pessoas.

O interior do estado tem o quadro mais grave. Em Caruaru não há vagas disponíveis. Pacientes precisam ser transferidos para hospitais na região metropolitana do Recife.

Na região metropolitana de Natal, a taxa de ocupação de leitos de UTI segue acima de 90%, mas caiu em relação à semana anterior. Em todo o estado do Rio Grande do Norte, a taxa de ocupação é de 94%. A fila de espera por leitos de UTI no estado tinha 62 pessoas nesta segunda.

Sergipe tem 99% das UTIs ocupadas, igual à capital Aracaju, e está em situação crítica desde o fim de abril, com filas de pacientes à espera de vagas. Nesta semana, a rede privada voltou à ocupação máxima de seus 183 leitos.

Em São Luís, o índice de ocupação de leitos para pacientes graves chega a 97%. Dos 279 leitos de UTI na Grande Ilha, que inclui a capital e mais três cidades vizinhas, 270 deles estão ocupados, apesar do avanço da vacinação na capital maranhense.

As cidades da Grande Ilha receberam 300 mil doses extras do Ministério da Saúde após o estado registrar o primeiro caso no país da variante indiana.

Estado do Nordeste com situação menos grave, a Paraíba acendeu o sinal de alerta ao alcançar ocupação de 80% das UTIs. No início do mês, o governador João Azevêdo (Cidadania) publicou novo decreto com medidas de restrição, recomendando o fechamento de praias, parques, praças e proibindo a abertura de museus, cinemas, circos e teatros.

Entre as capitais do Sudeste, o Rio de Janeiro tem o pior cenário. Com quase todas as atividades liberadas, a cidade tem ocupação de UTIs acima de 90% há mais de três meses.

A cidade é uma das sedes da Copa América de futebol, prevista para começar na próxima semana. As outras sedes são Cuiabá, Goiânia e Brasília, também em estado de alerta pela alta ocupação de leitos.

Goiânia voltou a apresentar aumento na ocupação de leitos de UTI nesta semana, com 83% das vagas em uso, ante as 78% da semana anterior. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, a ocupação dos leitos apresentou recuo nesta semana, de 97% para os atuais 87%.

No Distrito Federal, a ocupação estava em 87% no início desta semana, indo a 91% se considerados só os leitos para adultos. Ao menos sete hospitais púbicos estavam com taxa de ocupação de 100%.

Na cidade de São Paulo, o nível de ocupação de leitos ficou em 80% na última semana.

No estado, onde foram instalados 216 novos leitos, 82% dos leitos para pacientes graves estão ocupados. São ao todo 11.089 pacientes internados em UTIs com Covid-19.

Na segunda-feira, oito das 22 diretorias regionais de saúde do estado —Marília, Presidente Prudente, Barretos, Ribeirão Preto, Registro, Sorocaba, Franca e Bauru— estavam com a ocupação na UTI acima de 90%.

O governo João Doria (PSDB) prorrogou a fase de transição do Plano São Paulo até o dia 14 de junho. Mas foram registradas aglomerações durante o feriado em cidades como Franca e Campos do Jordão.

Autor: Katna Baran, Fernanda Canofre, Marcelo Toledo, Patrícia Pasquini, João Valadares, Júlia Barbon, Natália Cancian e João Pedro Pitombo

Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo