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O tempo passa, as marcas ficam e o povo esquece. Política de Penedo já fez em Penedo.

18/02/2021 18h08
O tempo passa, as marcas ficam e o povo esquece. Política de Penedo já fez em Penedo.

Moacir Andrade e Tancredo Pereira no Bom Jesus dos Navegantes de 1988

Em 1988, Moacir Andrade, então vice-governador do estado, buscava alianças para abrir uma nova política em Penedo e para Penedo. Para tanto fez uma aliança com o prefeito daquele tempo, Tancredo Pereira, que havia derrotado as duas maiores forças políticas de Penedo por décadas se revezando na prefeitura penedense. Dr. Alcides dos Santos Andrade, eleito pela primeira vez em 1951, e Dr. Raimundo Marinho, eleito em posterior disputa eleitoral, mas nunca contra o seu maior adversário – Dr. Alcides.

 

Havia naquela época a premissa que após a morte de Raimundo Marinho em trágico acidente em 21 de maio de 1985, abrisse a lacuna para uma nova política no município. E essa premissa se encaminhava para o grupo dos Andrade por se tratar do antagônico do grupo de Raimundo Marinho. Mas a política é crudelíssima assim como o futebol, a zebra acontece quando menos se espera.

Raimundo Marinho havia sim morrido, mas o seu grupo não estava acéfalo a ponto de não brigar pela vaga de prefeito contra os Andrade. Dr. Hélio Nogueira Lopes assumiu o comando do grupo do amigo inseparável, Dr. Raimundo marinho, e com a sapiência das raposas políticas fez criar do nada o ninho da serpente para enfrentar a força de um vice-governador, de um governador também aliado de Moacir, e do prefeito Tancredo Pereira. Era uma luta praticamente inglória.

 O candidato do grupo liderado por Hélio Lopes era Guilherme Gonçalves que consigo traria a força das elites, mas elite não vence eleição. E depois de uma noite de negociações e reuniões, o nome escolhido para enfrentar Alita Andrade foi o do Cabo de Turma da Paísa, Zé Alves –, Usina que chegou a Penedo por autorização do prefeito Alcides Andrade, que unindo-se com o descontente e dissidente dos Andrade – a família Machado – apresenta então o nome de Zé Machado para compor a chapa com Zé Alves.

Os Machado não engoliram a escolha do nome de Alita Andrade como cabeça de chapa, e resolveram então aceitar a mesma função ou cargo de vice na chapa da oposição aos Andrade, ninho de onde por décadas Milton Machado e família fizeram parte e de longeva amizade. A política tem dessas coisas: desmonta velhas amizades por conta de interesses menores. Penedo não foi maior que os desejos pessoais de outrem. 

E como descrevemos acima, governador, vice-governador e prefeito tiveram que amargar a derrota de Alita, em detrimento do prejuízo avistado para Penedo com a perda em se ter o alinhamento das estrelas – governo do estado e prefeitura de mãos dadas. E depois, ainda por cima, presidente da república, governador e prefeita de uma mesma linhagem política. 

Quando a política afunda por trás dos interesses pessoais, ela passa a ser politicagem e nada mais.

Autor: Raul Rodrigues

Fonte: correiodopovo-al.com.br