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Anunciado o novo Bispo de Penedo; Dom Valdemir Ferreira dos Santos.

18/08/2021 15h47
Nosso artigo além de cronológico vai ao fundo das observações sem hipocrisias, e por isso mesmo, real.
Anunciado o novo Bispo de Penedo; Dom Valdemir Ferreira dos Santos.

Em nossa já considerada longeva passagem pela vida em Penedo, 62 anos, dos quais 52 totalmente morando e residindo na cidade das ruas estreitas e largas avenidas, vi e conheci os seguintes Bispos: Dom José Terceiro de Souza, Dom Constantino José Lüers e Dom Valério Breda cada qual com a sua missão desenvolvida segundo os métodos de cada personalidade e formação cristã.

 

Dom José Terceiro de Sousa chegou a Penedo em 19 de março de 1958, vindo de uma região do Nordeste, e por isso mesmo profundo conhecedor das dificuldades impostas ao homem do campo, pois o Ceará sofria com a seca que atormentava a vida daquela gente sofrida.

Como um bom Pastor manteve-se entre o papel de conduzir o rebanho da igreja católica em uma cidade com uma sociedade fortemente conservadora, e, obviamente que por aconselhamento da formação intelectual e por estudos de um município tricentenário, atendendo aos pré-requisitos de como agradar ao seu novo rebanho levando-o para o encontro com Deus a quem serviu entre o misto do Santo Padre e também um desbravador da zona rural onde fez desenvolver grandes projetos nas Cooperativas I e II, hoje praticamente bairros de Penedo.

Dom José Terceiro de Souza implantou naquela época os famosos diques de criação de peixes junto ao empresário local Jonas Sampaio, que durante as Semanas Santas distribuía parte da produção com as comunidades mais carentes de Penedo e seus povoados. Era um visionário sobre a regra de que se deve dar a vara, a linha, o anzol e a isca para transformar o homem em um pescador, e não lhe oferecer as migalhas de sempre para dominar um povo.

Foi um ícone de respeito por parte das autoridades locais e comandou a Diocese com sede em Penedo com sucesso nas áreas da religião, do amor ao próximo, e da retidão do caráter do missionário.

Deixou Penedo em 1968, indo morar em Fortaleza onde permaneceu até a sua morte.

Dom Constantino José Lüers, Franciscano formado pela igreja católica na Alemanha de onde era filho natural chegou a Penedo em 16 de abril de 1976 sendo recebido com grande festa religiosa digna da sua permanência em Penedo onde terminou os seus dias de existência, vindo a ser enterrado no campo santo de dentro da Catedral Diocesana com justas homenagens.

Foi uma espécie de Consul do povo penedense entre as suas viagens para o a Alemanha de onde conseguia trazer ajudas que se transformaram em casas – lares – para as famílias mais pobres de nossa cidade, fazendo também uma distribuição de leite por meio de uma vaca mecânica que colocou em meio ao conjunto Rosete Andrade e o Mutirão – atual Dom Constantino – onde atendeu a milhares de crianças em suas carentes formações físicas e orgânicas devido à natural condição de pobreza dos seus pais. Pregava e praticava o amor ao próximo. De fala mansa e branda apesar da sua estatura avantajada, o seu olhar era cheio de ternura e as suas ações divinas. Faleceu em 1994 deixando órfã a uma comunidade inteira que o conheceu como um digno representante do amor em Cristo. Dom Constantino jamais será esquecido.

Dom Valério Breda chegou a Penedo em data posterior à sua ordenação como Bispo de Penedo, feita pelo então Papa João Paulo II em 30 de julho de 1997, vindo a ser um efeito quebra-nozes se comparado com os seus dois antecessores.

E uma análise dos fatos não pode destoar da verdade, mesmo que esta incomode a quem acha que todo aquele que já morreu trona-se um bom espírito.

O Evangelho segundo Espiritismo deixa mais que claro que todos nós seremos julgados segundo as nossas obras, e não é porque a pessoa morreu que se deva olhar pelo crivo da hipocrisia deixando de lado os fatos e as verdades. Dom Valério Breda foi um pastor que afastou e muito as pessoas da igreja católica por suas homilias duradoras e cansativas. E quando avisado para que mudasse esse jeito de ser, o mesmo dizia em alto e bom som que “quem não quisesse ouvi-lo que fosse para as suas casas”.

As vilas construídas por Dom Constantino ele as vendeu. A vaca mecânica que distribuía leite para as crianças pobres do Mutirão ele deu outro destino, e as suas ações tiveram sempre o sentido contrário das de Dom José Terceiro de Souza e Dom Constantino. E isto é fato.

Não foi um grande pastor segundo o olhar de quem deva conquistar ovelhas para o seu rebanho. Posicionou-se politicamente maneira explicita em defesa de candidaturas em Penedo e até para presidente da república, sem para tanto representar uma causa em nome do povo. Era mesmo por posições pessoais. A igreja não deve nem nunca foi omissa, porém que utilize das suas práticas e meios não convergentes para polêmicas. Para enfrentamentos abertos e atos de divisões do próprio povo. Jesus quando incitado a provocar a César, disse; “dai a César o que é de César!”.

A chegada de mais um Bispo para Penedo, Dom Valdemir Ferreira dos Santos, é sim momento de júbilo para a nossa Diocese e nossa gente, principalmente por nos chegar um nome próximo de nós, da Bahia de todos os Santos, vindo com uma formação religiosa para trazer o alimento da fé, pois independente de quaisquer que sejam as religiões, o Deus é único e assim o será.

Penedo e o Brasil precisam neste momento de tanta dor e sofrimento das famílias enlutadas, causados pela pandemia com quase seiscentas mil mortes, necessitam de conforto para os sobreviventes, e esse conforto deve vir também da parte espiritual.

Portanto, a chegada de um novo pastor há de ajudar a curar feridas da alma e do coração dos que ainda sofrem com as suas perdas.

 

Que seja bem vindo o novo Bispo e que Penedo também lhe sirva de refrigério em sua nova morada ao deixar Amargosa na Bahia, terra do ex-prefeito Dr. Alcides Andrade. 

Autor: Raul Rodrigues

Fonte: correiodopovo-al.com.br