Alagoas

VEREADOR DE DELMIRO GANHA R$ 5 MIL COMO DIRETOR DO HOSPITAL DO SERTÃO, DIZ DEPUTADO

22/09/2021 17h39
Davi Maia (DEM) tem denunciado casos semelhantes no plenário da Assembleia Legislativa
VEREADOR DE DELMIRO GANHA R$ 5 MIL COMO DIRETOR DO HOSPITAL DO SERTÃO, DIZ DEPUTADO

O vereador do município de Delmiro Gouveia Jamil Cordeiro de Araújo (PSD) é um dos políticos beneficiados com um suposto esquema que contempla cabos eleitorais, líderes políticos do interior e seus familiares apontados como “aliados” da cúpula executiva da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), inclusive com cargos relevantes e hospitais públicos recém construídos. A Gazeta teve acesso com exclusividade a documentos que indicam o nome do vereador Jamil em acumulação de cargo de diretor do recém-construído Hospital do Sertão, em Delmiro, e que nos mesmos dias de sessão ele estaria no plenário e ao mesmo tempo no plantão da Câmara. O vereador tem salário mensal do hospital de R$ 5 mil. Para não chamar a atenção dos órgãos de fiscalização e controle estadual e federal, o parlamentar estaria recebendo o salário como funcionário precarizado do hospital, ou seja, comissionado sem ser oficializado. No caso de aumentarem as suspeitas e o vereador for questionado pelos órgãos de fiscalização, existe inclusive uma declaração da Sesau afirmando que ele “não tem remuneração”. É diretor do Hospital do Sertão, mas não receberia salário. A denúncia será apresentada hoje no plenário da Assembleia Legislativa Estadual (ALE). Ontem, servidores do hospital e da própria Câmara confirmaram que Jamil é diretor do Hospital do Sertão. Os assessores dele não quiseram falar a respeito do assunto, revelou uma fonte. Há uma investigação em concurso na própria Câmara para identificar a procedência de documentação falsa para esconder o suposto salário do vereador. Segundo os deputados que investigam supostos pagamentos indevidos a servidores da saúde estadual, o vereador não pode acumular cargos comissionados. A acumulação de cargos no estado e município só é permitida a funcionários concursados, não é o caso de Jamil. Denúncia neste sentido envolvendo a Sesau não é nova. O deputado Davi Maia (DEM) há um mês, semanalmente, apresenta no plenário da Assembleia Legislativa supostas irregularidades na pasta da saúde pública estadual. O primeiro escândalo foi sobre um servidor considerado como braço direito do secretário Alexandre Ayres, que ganha três vezes mais que o governador Renan Filho (MDB) que instituiu, desde 2015, o teto salarial constitucional de pouco mais de R$ 24 mil. O “servidor onipresente”, segundo o parlamentar, consegue receber salário de R$ 70 mil/mês por trabalhar no mesmo dia, no mesmo horário, em plantões de três hospitais diferentes e ainda encontra tempo para participar de solenidades no Palácio do Governo ou nas “lives” de chegada de vacinas no aeroporto de Maceió. Ainda de acordo com o deputado, existe outro seleto grupo de “amigos” do governo na pasta da Saúde que tem vencimentos que variam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, também por faturarem em supostos “plantões fantasmas”. Na semana passada, Maia mostrou documentos no plenário e extratos do Portal da Transparência onde aparece o nome de um servidor que trabalha na sala ao lado do governador e, mesmo assim, recebe como funcionário de outro hospital novo do estado. O servidor é advogado e, conforme o parlamentar, a atividade dele é de articulador político do Executivo estadual e nada tem a ver com a saúde pública estadual.

Autor: Arnaldo Ferreira

Fonte: d.gazetadealagoas.com.br