Alagoas

Deputados alagoanos repercutem polêmicas e “jogo político” envolvendo a CPI da Covid-19

03/05/2021 11h40
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, instalada pelo Senado Federal
Deputados alagoanos repercutem polêmicas e “jogo político” envolvendo a CPI da Covid-19

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, instalada pelo Senado Federal, teve início na última terça-feira (27), e desde então, políticos de todo o país discordam sobre sua finalidade e a transparência do processo.

O CadaMinuto conversou com alguns deputados estaduais alagoanos para saber suas opiniões sobre a CPI, como o “jogo político” que a motiva e os erros do governo federal na administração da pandemia no Brasil.

Bruno Toledo

O deputado afirma que a CPI é um instrumento legítimo do parlamento, mas que “é de se estranhar que o Supremo tenha entrado nessa equação”. 

“Infelizmente, isso é muito ruim para a democracia, pois fica evidente o uso de um instrumento importante com um viés ideológico”, reforçou. 

Toledo diz que espera que os senadores compreendam a dimensão do tema e, de fato, busquem realizar a investigação de maneira imparcial, seja para apontar eventuais erros do governo federal, se houver, ou para apurar o uso de recursos federais por estados e municípios, que também é foco das investigações. 

“Se for apenas politicagem para tentar atingir um governo, será um fato lamentável para a República”, alertou.

Cabo Bebeto

O parlamentar afirmou que, em sua opinião, a CPI da Covid-19 foi aberta apenas para “tumultuar o governo federal”.

Davi Maia

“A CPI é muito importante, inclusive para levantar todas as irregularidades. No entanto, ela não pode ser parcial como se desenha”, advertiu o deputado. 

Para Maia, a situação é séria, já que houve problemas na vacinação em Maceió devido à falta de compra dos imunizantes por parte do Governo Federal. “Se hoje falta vacina no Brasil, é justamente por causa do atraso na discussão do problema por parte do Governo Federal”. 

No entanto, o parlamentar observou que a Comissão não pode deixar de investigar os recursos federais enviados aos estados, como Alagoas, “onde já se comprovou o calote de R$ 6 milhões na tentativa de compra dos respiradores”. 

 

“A CPI é necessária, vai funcionar como palanque, como parte do jogo político, mas sem dúvidas terá maior resultado investigando estados e municípios, prefeitos e governadores”, finalizou.

Fátima Canuto (PSC)

"Se tiver irregularidades, que se apure e se puna os envolvidos, independente da esfera do Governo", defende a parlamentar. Para ela, a CPI busca investigar as possíveis irregularidades que o governo possa ter cometido. 

"Mas o mais importante é que a CPI venha a contribuir com soluções para os problemas gerados pela pandemia e para que possamos sair o mais rápido possível desse momento tão dramático que todos nós estamos passando", disse.

Francisco Tenório

Para o parlamentar, não é preciso jogo político para enfraquecer a presidência da República. “Ela se enfraquece pelos próprios atos”. 

Tenório justifica que a postura do governo federal de desdenhar dos números de mortes durante a pandemia e de não levar o assunto a sério, já o enfraquece por conta própria. 

“Neste sentido, entendo que a CPI da Covid tem como objetivo, de fato, investigar possíveis irregularidades e julgá-las do ponto de vista político”, falou.

Leo Loureiro

“Tenho certeza que o principal objetivo da CPI da Covid-19 é entender o que está acontecendo no nosso País”, avaliou o deputado. Ele cita a lentidão na chegada de vacinas no Brasil como motivo para investigar o governo e saber se existe, de fato, alguma irregularidade no enfrentamento à pandemia. 

Loureiro acrescentou que reconhece a polarização em todos os âmbitos e áreas do país, mas que agora é necessário deixar isso de lado, já que estamos enfrentando um “inimigo invisível”.

 

“Não é hora de brigar quem é ‘azul ou vermelho’, está na hora de unir as nossas forças e combater o novo coronavírus e, principalmente, lutar por vacinas e para que os pacientes graves tenham acesso a leitos de hospitais sem colapsar o sistema de saúde”, defendeu.

Marcelo Victor

Durante a sessão da Assembleia Legislativa de Alagoas, na última terça-feira (27), o presidente da Casa de Tavares Bastos, Marcelo Victor, falou que, “quando se trata do exercício e das prerrogativas do mandato parlamentar, a nossa Constituição é cristalina”. 

Para ele, se a relatoria da CPI “caiu no colo” de um integrante da bancada de oposição à presidência, há um problema na articulação política do governo.

“É óbvio que tais limitações só podem ser estabelecidas pela própria Carta Constitucional. Daí o desatino de uma decisão procedente de outro Poder tentando privar o Senado Federal de resolver suas próprias questões”, disse.

Ronaldo Medeiros (MDB)

Para o parlamentar, a CPI da Covid-19 é essencial neste momento, principalmente, “por termos um presidente da República que não confia na ciência, que não vem dando a atenção devida aos hospitais, à compra de medicamentos e que sempre se mostrou contrário às vacinas”. 

Medeiros cita o orçamento R$ 200 milhões, aprovado pelo Congresso Federal, para a vacina da Universidade de São Paulo, que é uma vacina que tem uma tecnologia quase totalmente nacional. “É importante ter uma vacina do Brasil e o presidente tirou do orçamento esse recurso”. 

O parlamentar pontuou que só quem tem medo de CPI, quem fez algo de errado. “A CPI vai ter governistas, oposição, porque é um processo democrático”. 

O emedebista finaliza que ninguém, mesmo assumindo relatoria ou presidência da Comissão, vai acusar ou colocar no relatório fatos que não condizem com a verdade ou com os números. 

A reportagem do CadaMinuto entrou em contato com outros parlamentares, mas nem todos quiseram se manifestar sobre o assunto.

 

*Estagiária sob supervisão da editoria

Autor: Alícia Flores*

Fonte: cadaminuto.com.br