CR7 virou alvinegro

Razões e consequências da ida de Cristiano Ronaldo para a Juventus

Craque português oficializa divórcio após nove anos no Real Madrid

10/07/2018 por JOÃO PEDRO FONSECA

Mais do que a união entre Cristiano Ronaldo e Juventus, oficializou-se, nesta terça-feira, o divórcio — há muito tempo encaminhado — entre o craque português e o Real Madrid. É impossível classificar como negativa uma relação tão frutífera, gestora de um ainda fresquinho tricampeonato da Liga dos Campeões. Mas o tempo que desgasta relacionamentos amorosos também faz as suas vítimas nos gramados. E a relação de CR7 e Real durou nove anos: uma jornada longa demais para um clube e um astro permanentemente sob holofotes.

Há muito o português se sentia diminuído. Mostrava-se incomodado por ver Messi e Neymar com salários mais volumosos e se considerava abandonado pelo clube em sua luta contra o fisco espanhol. Em paralelo, via crescer na imprensa as notícias de que o Real buscava nomes de peso no mercado, como o do camisa 10 brasileiro. Quando conquistou a última Champions, Cristiano imediatamente deixou o futuro em aberto: não escondia mais que queria sair. E, ao divulgar uma carta de despedida, chamou para si a decisão de partir.

Um jogador de ambições tão resistentes quanto o tanquinho que ostenta aos 33 anos, CR7 encontrou na Juventus um clube perseguidor de metas igualmente ousadas — e que precisava de um nome de peso após a saída do ídolo Buffon, hoje no PSG. Durante os últimos anos, quando conquistou o heptacampeonato italiano, a Velha Senhora foi o único time do país a encarar, de igual para igual, os gigantes do continente. Terminou vice da Champions para o Barcelona em 2014/2015 e para o próprio Real, em 2016/2017.

Com Cristiano Ronaldo, a Juventus não só reafirma sua força interna, como ganha estofo para as disputas em alto nível: o português é um especialista em fazer diferença nos grandes jogos. Também dá à Itália a chance de se recolocar como protagonista no cenário europeu. E reorganiza a geopolítica do continente. Com Messi na Espanha e Neymar na França, os três maiores nomes do futebol passam a disputar ligas diferentes. Tornam-se símbolos de força dos campeonatos nacionais, enquanto a Premier League se ancora nos técnicos estelares.

"Foi um tempo emocionante para mim, cheio de consideração, mas também difícil, porque o Real Madrid é de uma exigência altíssima. Mas sei muito bem que nunca vou esquecer que desfrutei do futebol aqui de uma forma única (...). Refleti muito e sei que chegou a hora de um novo ciclo", escreveu o português em sua mensagem de despedida. A convicção de Cristiano Ronaldo é fundamental para que a Juve não hesite na expansão de seu projeto. Para o clube espanhol, é a senha para uma profunda reformulação com a chegada de Julen Lopetegui no lugar de Zidane, o que até agora é uma imensa incógnita.


Fonte: OGlobo.com

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