Economia afetada por caminhoneiros

Greve dos caminhoneiros faz produção industrial despencar 10,9% em maio

É a maior queda frente ao mês anterior desde dezembro de 2008

04/07/2018 por DAIANE COSTA

RIO - A greve dos caminhoneiros iniciada em 21 de maio derrubou o resultado da produção industrial daquele mês, divulgou o IBGE na manhã desta quarta-feira. A queda foi de 10,9% de em relação ao mês anterior, a maior desde dezembro de 2008, quando foi de 11,2%. Em relação a maio de 2017, o tombo foi de 6,6%. É o maior recuo desde outubro de 2016. Com esses dois resultados, em maio o acumulado do ano, que no mês anterior era de expansão de 4,5%, caiu para 2%. Os economistas consultados pela Bloomberg apontavam recuo de 13,4% em relação a abril e de 10% na comparação com maio de 2017.

- A greve afetou negativamente os resultados do mês de maio e trouxe quedas em magnitudes mais elevadas do que estávamos acostumados a ver. Ela fez com que as plantas industriais ficassem desabastecidas dos produtos básicos para produção, seja também pela dificuldade logística de escoar essa produção e de os funcionários chegarem às empresas para executar essas tarefas. - explica André Macedo, gerente de Indústria do IBGE, ressaltando que a queda de 10,9% vai trazer reflexos negativos tanto para o segundo trimestre do ano quanto para o resultado do ano e para todas as categorias econômicas.

Com o resultado de maio, o patamar de produção da indústria retornou ao nível próximo a dezembro de 2003, ficando 23,8% abaixo do pico da série histórica iniciada em 2002, que ocorreu maio de 2011. Até abril o setor operava próximo ao patamar de produção de 2009. Entre as quatro grandes categoriad econômicas todas recuaram por conta da greve. A maior queda, em relação a abril, foi na produção de bens de consumo duráveis (-27,4%), bens de capital caiu 18,3%, bens de consumo semiduráveis recuou -12,2% e bens intermediários caíram 5,2%.

- Quase 70% dos itens pesquisados tiveram recuo na produção em maio, em relação ao mesmo período do ano passado. Isso foi ainda mais acentuado dentro da indústria alimentícia, onde 91% de seus produtos tiveram comportamento de queda nessa comparação - explicou o gerente de Indústria do IBGE, André Macedo.

Alimentos e veículos foram setores mais afetados

Segundo ele, a indústria de alimentos e a automotiva foram as mais afetadas pela greve dos caminhoneiros, tanto na comparação com abril quanto com maio do ano passado. Os automóveis recuaram 29,8% em relação a abril e 12,8% em relação a maio do ano passado. Já a produção de alimentos caiu 17,1% e 14,3% nas mesmas comparações.

Alimentos e automóveis são responsáveis por quase um quarto (23%) do resultado geral da indústria. Como foram os setores mais afetados pela greve, explicam a alta magnitude de queda da produção do setor em maio, ressaltou Macedo.

De abril para maio, 24 dos 26 ramos industriais recuaram, muitos com quedas de dois dígitos. Além dos automóveis e alimentos, outras contribuições negativas relevantes vieram de bebidas (-18,1%), de celulose, papel e produtos de papel (-13,0%), de produtos de minerais não-metálicos (-14,3%), de produtos de borracha e de material plástico (-10,5%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-15,4%) e de outros produtos químicos (-5,6%). Apenas os ramos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,3%) e de indústrias extrativas (2,3%) assinalaram avanços na produção nesse mês.

Com relação a maio do ano passado, também as quatro grandes categorias econômicas tiveram recuo, 24 dos 26 ramos e 63 dos 79 grupos. Segundo o IBGE, nesse resultado também há influência, além dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros, o efeito-calendário, já que maio de 2018 teve um dia útil a menos (21) do que igual mês do ano anterior (22). Entre as atividades, além de alimentos e veículos, contribuíram para a queda geral, de 6,6%, produtos químicos (-9,3%), bebidas (-14,9%), produtos de minerais não-metálicos (-12,8%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-15,5%), de celulose, papel e produtos de papel (-9,7%), e artigos para viagem e calçados (-17,9%), entre outros.

A greve dos caminhoneiros durou dez dias e parou o país. O impacto na economia brasileira, no entanto, será muito mais amplo e duradouro: outros indicadores divulgados anteriormente já mostravam a influência da paralisação. A prévia da inflação oficial de junho aponta alta média de 1,1% dos preços, coletados entre os dias 16 de maio e 13 de junho, ou seja, incluiu todo o período da paralisação. A influência na inflação foi citada na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reconheceu diminuiu consideravelmente a possibilidade de a inflação ficar muito abaixo da meta de 4,5% neste ano.

A produção de veículos no mês de maio, frente a abril, caiu 20%, para 212,3 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. A greve também se traduziu em vendas menores: a perda foi de 7,1%, para para 201,9 mil unidades no mês. Os dados da Anfavea, associação que representa as montadoras, mostram que a indústria automobilística deixou de produzir entre 70 e 80 mil veículos, vender cerca de 25 mil e exportar algo próximo a 15 mil unidades.

O valor das exportações de maio deste ano também ficaram abaixo dos US$ 19,7 bilhões de maio de 2017. É a primeira queda anual desde dezembro de 2016. Como tiveram dificuldade de chegar aos portos, muitos produtos deixaram de ser exportados durante o período da greve.


Fonte: OGlobo.com

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