O verdadeiro político deve ser democrático

A grande discussão sobre a imprensa é a isenção de opinião dos jornalistas

Ser democrata é aceitar as mais duras críticas que sejam quando elas são totalmente fundamentadas na verdade.

02/07/2018 por Por Raul Rodrigues

Os maiores jornalistas e/ou donos de impérios da comunicação se voltam neste momento para analisar um dos pilares do jornalismo: a isenção nas opiniões de quem escreve sobre a política. Mas o que teria levantado essa lebre?

O momento político é a grande vertente da discussão por se tratar de tempos de eleições e, em assim sendo, se voltar os artigos ou matérias opinativas.  Sendo mais claro: sobre o poder de influencia de quem escreve sobre quem escreve. A isenção sempre foi a busca do bom jornalismo.

Entretanto, quando assistimos aos shows pirotécnicos das grandes redes de televisão, dos impérios jornalísticos que se dizem comportarem-se exatamente sobre o eixo da imparcialidade, nos perguntamos: como então explicar que a Rádio Globo nos anos 30/40 –, maior complexo de emissoras de rádio do país, ao fechar apoio a Getúlio Vargas, e depois, nos anos 90 por meio da Rede Globo de televisão e toda a sua estrutura de comunicação apoiou abertamente ao candidato Fernando Collor de Mello venha agora querer impor-se como referencia na isenção do jornalismo?

Como então quem sempre pregou a dura crítica contra os governos que não anunciavam em seus veículos de comunicação, pode chegar ditando regras ou normas para o jornalismo brasileiro? A colunista Mônica Bergamo que escreve para O Globo é filha de fundador do PT – Partido dos Trabalhadores – sempre voa por sobre os pré-candidatos contrários ao PT em programas de entrevistas carcomendo tanto a ideologia ou filosofia do partido a que pertençam os candidatos, em clara defesa de que certo é ou foram os governos petistas. Isto é isenção?

Isenção é a busca de todo o bom autor de artigos ou matérias de cunho político, mesmo que isto custe por vezes à dor interna de ter que elogiar aos não admirados pelo próprio redator, mas pelo justo crivo de descrever verdades e fatos. Como também doe para o mesmo autor descrever fatos verídicos sobre erros de quem seja admirado pelo autor.

Isto é o que devemos chamar de isenção. No bom jornalismo não devemos tentar agradar a todos nem incriminar a inocentes. Nem tão pouco esconder os erros de quem goze da amizade de quem escreve.

Para esse redator que há quarenta anos escreve e descreve sobre a política penedense, alagoana e brasileira, o que mais tem me custado é ser verdadeiro e fiel aos fatos. Isto contraria interesse de “poderosos” mesmo que corruptos sejam aos olhos da justiça, do povo e dos próprios colegas corporativistas.

Se existir de fato a busca pela isenção é a respeitosa atitude sobre de quem escrevemos quando embasados nos fatos estivermos. Isto é um sonho. Mas quem não sonha está seguramente morto.


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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