Greve pode afetar economia de todos

Com greve de caminhoneiros, preços disparam na feira

Já faltam verduras em supermercados

23/05/2018 por Marcela Sorosini / Letycia Cardoso / Glauce Cavalcanti

RIO — Os reflexos dos protestos dos caminhoneiros chegaram aos preços de alimentos. Na Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ), em Irajá, na Zona Norte do Rio, apenas 75 dos 340 caminhões que deveriam fazer entregas nesta quarta-feira conseguiram chegar ao mercadão. A saca com 50 quilos de batatas, que costuma ser vendida por R$ 70 ou R$ 80, já é comercializada por quase quatro vezes mais: entre R$ 250 e R$ 300.

Em uma feira em Botafogo, na Zona Sul, o quilo da batata subiu de R$ 2 para R$ 6. O custo da cenoura quase dobrou, passando de R$ 3,50 para R$ 6, o quilo. Muitos feirantes não foram trabalhar porque não tinham mercadorias estocadas nem conseguiram comprar novos produtos. Faltam itens também em supermercados. Na rede de Supermercados Mundial, por exemplo, diversas lojas já não dispõem de alimentos frescos, como verduras.

Os verdureiros foram os que sentiram o maior impacto e tiveram que repassar os custos, pois precisam comprar mercadorias frescas diariamente: a alface crespa, por exemplo, está custando R$ 5.

— Só vem trabalhar quem tem coragem, porque as verduras aumentaram 100%. A caixa de alface saía por R$ 10. Comprei por R$ 60 — contou Adolfo Almeida, verdureiro há 25 anos.

Com altos preços, o consumidor deixa de comprar. O vendedor de cenouras Ailton Fernandes comprou a caixa do produto, na terça-feira, por R$ 120, quando o usual é desembolsar R$ 40. O feirante teme ter ainda mais prejuízos:

— A cenoura é muito perecível. Tenho que vender tudo até amanhã.

Há 52 anos trabalhando como feirante, dona Aureni Oliveira, de 80, tem medo de não ter mercadorias para trabalhar.

— Eu pago uma funcionária para me ajudar na barraca. Se faltar mercadoria, vou ter o prejuízo por não vender e por pagar o salário sem ela trabalhar — lamentou.

A feirante conta que, normalmente, compra a saca de batatas lavadas por R$ 70. Nesta quarta-feira, foi informada de que o custo do produto subiu para R$ 300.

- Já sentimos efeito no segmento de hortifruti, que não estão sendo entregues. Para os demais produtos, temos estoque. Se acontecer de faltar itens de uma marca específica, temos como substituir por um equivalente de outra marca - explica Sérgio Leite, diretor comercial da rede Supermercados Mundial.

No box Guaibim, da Ceasa-RJ, apenas um caminhão conseguiu chegar. O normal, segundo os vendedores do local, é que cinco ou seis cargas sejam entregues diariamente. Para evitar os bloqueios de caminhoneiros em protesto nas principais vias de acesso à capital, o motorista fez um trajeto por Angra dos Reis, na Costa Verde.

Entre os produtos que já estão sumindo dos pontos de venda está a cenoura. Já as poucas sacas de chuchu, pimentão e repolho dobraram de preço.

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— Não chega nada. Está todo mundo reclamando — disse o dono do box Guaibim, Marcel Ribeiro Barbosa.

Se antes o lote de 20 quilos de chuchu saía por R$ 15 nos boxes, hoje custa de R$ 30 a R$ 40. O pimentão, que na semana passada era encontrado por R$ 15, foi vendido por R$ 25, nesta terça-feira, e agora já custa R$ 50.

— O problema vai continuar, porque muitas mercadorias vão apodrecer nas estradas — lembrou Barbosa.

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Dono do mercadinho Dona Jolina, na Ilha do Governador, Robson Silva Lima se assustou com os valores cobrados pelos vendedores da Ceasa-RJ:

— Os preços dobraram, e vamos ter que repassar a alta para o consumidor.

Dono de uma pizzaria em Jacarepaguá, na Zona Norte, Marcelo Moura se preocupou ao ver os estabelecimentos da central de abastecimento com tão pouca oferta de frutas, legumes e verduras:

— Geralmente, encontro três variedades de tomates. Hoje, só há uma opção, que nem está com a qualidade que costuma ter.


Fonte: OGlobo.com

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