Votação de Carlos Bolsonaro

Votação de Carlos Bolsonaro cai em quase todo o Rio

Reeleito com 35,6 mil votos a menos do que em 2016, vereador piorou em 43 das 49 zonas eleitorais, incluindo a da Vila Militar

21/11/2020 por Redação Pedro Capetti e Juliana Dal Piva

RIO —A redução do número de votos recebidos pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) nas eleições 2020 surpreendeu caciques políticos cariocas. O filho do presidente Jair Bolsonaro foi reeleito com 71 mil votos, 35.657 a menos do que há quatro anos. Nos bastidores, projetava-se que ele poderia atingir 150 mil eleitores. Contudo, uma análise do mapa eleitoral do vereador aponta para uma queda geral. Das 49 zonas eleitorais da cidade, Carlos recebeu menos votos do que em 2016 em 43.

Levantamento feito pelo GLOBO com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do CepespData, da FGV, mostra que o filho do presidente perdeu influência em redutos populares da Zona Norte e da Zona Oeste, principalmente naqueles onde, em 2018, seu pai conseguiu uma votação expressiva e superior à média da capital.

O vereador conseguiu manter a votação do passado apenas em zonas eleitorais da Zona Sul e da Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Inclusive, da região da Barra da Tijuca e adjacências, nas 9ª e 119ª zonas eleitorais, é que ele teve suas votações mais expressivas em números absolutos. Em ambas, ele superou os 3,5 mil votos e ampliou essa votação em mais de 400 votos.

No entanto, Carlos foi derrotado em “casa”, duas vezes. Na 185ª Zona Eleitoral, composta por Campinho, Praça Seca, Jardim Sulacap, Vila Valqueire e Bento Ribeiro, onde a família mantém escritório político, o zero dois conseguiu perder a maior quantidade de votos. Em 2020, foram 2.039, 1.723 a menos que em 2016, quando registrou 3.762. Na região da Grande Tijuca, na 229ª eleitoral, onde ele também morou boa parte de sua vida, Carlos perdeu 510 votos, em comparação com quatro anos atrás.

Até mesmo na Vila Militar o resultado decepcionou. Carlos registrou votação menor do que em 2016 nas três seções que ficam dentro da Escola Municipal Rosa da Fonseca, onde seu pai vota desde os tempos de capitão do Exército.

Nas áreas de milícia e tráfico, dados do TSE cruzados pelo GLOBO com o Mapa dos Grupos Armados, feito por pesquisadores da USP, UFF e membros do Fogo Cruzado, indica que 18% dos votos do filho do presidente vieram de 300 locais de votação nessas regiões.

Por outro lado, o vereador registrou leve crescimento em bairros que costumam votar em peso na esquerda. Na 16ª Zona Eleitoral, composta por Laranjeiras, Cosme Velho, Santa Teresa, Catete, Glória, Bairro de Fátima e Lapa, Carlos obteve 1.867 votos, 123 a mais que os 1.744 de 2016.


Fonte: oglobo.globo.com

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