Experiência de vida do Major Horácio.

A prisão de Alcatraz é mais famosa no mundo. Mas, a pior delas é a da consciência!

Quem está preso pela consciência jamais consegue ser feliz de todo.

31/10/2020 por Por Raul Rodrigues
A prisão da consciência, ninguém prende e ninguém escapa.

Aprendi com meu velho e saudoso pai, Major Horácio, que a pior prisão não é que prende o corpo físico. Esta apenas retira do homem ou da mulher a liberdade do andar e encontrar pessoas. É uma punição justa quando o bandido oferece riscos à sociedade, pois a sua detenção evita que se façam novas vítimas. Ademais, traz reflexões que podem surtir efeitos corretivos, ou apenas revoltar ainda mais um desumano entre nós.

Já em sua preciosa sabedoria, o meu saudoso pai dizia que a pior prisão do mundo é a da consciência. Aquela que prende o bandido solto. Aquele que engana a sociedade pelos meios “lícitos” – os bandidos de colarinho branco e gravata – e que por reconhecerem na Lei as suas pequenas frestas da não proibição total, usam dos artifícios – das brechas da Lei – para subtraírem o direito de outrem. A Lei nunca consegue ser hermeticamente fechada.

Entretanto, dizia meu pai, estes morrerão padecendo do isolamento público, da solidão entre paredes onde a consciência lhe apontará em detalhe cada subtração feita por ele do direito de outrem. E o mais duro será então a realidade partilhada dando-lhe conta de que nada valeu a pena ter se achado mais sábio ou inteligente que os outros.

E concluía o velho Major Horácio: “já prendi todo tipo de bandido, de Floro a quem deixei fugir para não ser morto dentro da delegacia e indefeso, a Manoel Bate-Ferro um dos mais perigosos de Sergipe, mas nunca fiz esforço para prender os ladrões ou bandidos cuja consciência já lhe prende, lhe serve de Alcatraz”!
 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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