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Ibope: Paes cresce entre menos escolarizados, e Crivella lidera no eleitorado evangélico

A pesquisa publicada nesta quinta-feira pelo instituto de pesquisa mostra ainda aumento de popularidade de Benedita da Silva (PT), que também mira eleitorado cristão

17/10/2020 por Redação Filipe Vidon

RIO - A segunda pesquisa Ibope sobre a eleição para a Prefeitura do Rio, divulgada nesta quinta-feira, aponta crescimento do candidato do DEM, Eduardo Paes, entre os eleitores menos escolarizados e mais pobres, ultrapassando o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que disputa a reeleição, no primeiro segmento.

Entre os eleitores que estudaram até o ensino fundamental, Paes estava três pontos percentuais atrás de Crivella no levantamento divulgado em 2 de outubro. Agora, mostrou um avanço, dobrando o índice anterior e se isolando na liderança com 34% das intenções de votos. O atual prefeito perdeu sete pontos percentuais, totalizando 13% das intenções de voto. Benedita da Silva (PT) e a Delegada Martha Rocha (PDT) tiveram variações dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e acabaram com 9% e 6% das intenções de voto.

Com os eleitores divididos por renda, Paes também melhorou os índices quando comparado à última pesquisa e segue isolado na liderança. Dos eleitores consultados que recebem até um salário mínimo, 29% pretendem votar no candidato do DEM, representando um crescimento de nove pontos percentuais. Crivella se manteve na segunda colocação, mas oscilou de 13% para 10% e aparece empatado tecnicamente com Martha Rocha e Benedita da Silva. Desde a última consulta sobre intenções de votos as candidatas inverteram posições: a petista foi de 8% para 9%, enquanto Martha oscilou negativamente três pontos percentuais e totalizou 8% das intenções de voto.

Os indecisos ainda estão concentrados entre os eleitores com mais de 55 anos, os menos escolarizados e mais pobres. Apesar do número geral de pessoas que não souberam ou não responderam a pesquisa ter caído para 5%, esses três segmentos seguem acima da média, com 7% sem candidato definido. Para o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, o número de eleitores indecisos somado aos votos brancos e nulos nas camadas mais pobres, revela a descrença no processo eleitoral como ferramenta para transformação social.

— Quando falamos do voto popular, existe uma resistência ainda maior aos políticos, vão demandar mais esforço dos candidatos para recuperar credibilidade após o histórico de má utilização de recursos públicos. Esses números mostram uma insatisfação geral com os candidatos apresentados e são eleitores que precisam ser reconquistados em cada eleição, não existe compromisso com lideranças específicas, mas sim com aquilo que necessitam.

Outro ponto relevante analisado por Ismael é o impacto da pandemia para essas candidaturas. Segundo ele, o contato menor da população com os candidatos pode impactar diretamente na presença dessa camada nas urnas.

— Existem dois problemas no processo eleitoral no meio de uma pandemia: primeiro é o distanciamento dos candidatos das ruas, a menor circulação deles. Mesmo com a redução nas restrições, o corpo a corpo, a presença nos bairros e contato direto com o eleitor faz diferença. Além disso, não conseguimos prever as abstenções propriamente, já que o eleitorado do Rio conta com uma parcela grande acima dos 70 anos. O medo de filas e outros problemas pode impactar diretamente na presença nas urnas e afetar o resultado do pleito.

Crivella perde espaço, mas segue na frente entre evangélicos
Com vários candidatos na disputa pelo eleitorado evangélico, a disputa segue mais fragmentada do que nas eleições de 2016, quando Crivella uniu quase 80%  do eleitorado evangélico no segundo turno contra Marcelo Freixo (PSOL). No cenário atual, o atual prefeito, sobrinho do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, oscilou negativamente dois pontos percentuais, dentro da margem de erro, ficando com 24% das intenções de voto.

Benedita da Silva, que também é evangélica, foi a que mais conquistou eleitores evangélicos desde a última pesquisa: subiu de 3% para 9% nesse segmento, mas permanece em quarto lugar. A petista está empatada tecnicamente com Martha Rocha, que oscilou positivamente dentro da margem de erro e está com 11% das intenções de voto. Esse é o único segmento em que Eduardo Paes perde para Crivella: ele oscilou negativamente um ponto, conquistando 16% do público evangélico e segue em segundo lugar.

Para o cientista político Felipe Borba, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), o eleitorado que votou maciçamente em Crivella em 2016 vem demonstrando resistência à reeleição. Segundo o especialista, a avaliação sobre a primeira gestão deve pesar mais do que o pertencimento ao mesmo grupo social, o que pode ser um indício para explicar o crescimento de Benedita.

— Ser da mesma religião não significa entregar um cheque em branco. O eleitor evangélico também espera soluções práticas para os problemas do dia a dia. Se eles avaliam que o prefeito não desempenhou bem as suas funções, ele pune nas urnas. O aumento da Benedita pode ser uma resposta, mas é preciso observar as próximas sondagens para saber se é uma tendência.

Borba também destacou o avanço de Paes sobre eleitores menos escolarizados e mais pobres. De acordo com ele, a pesquisa do início de outubro indicando que 78% dos eleitores desaprovam a forma como Crivella administra a cidade, revela que existe um limite até mesmo entre os votos cativos.

— No contexto atual, Eduardo Paes herda os votos desse eleitor que avalia a gestão como ruim ou péssima. Por ser um político conhecido e que possui um histórico de boa gestão quando prefeito, estão punindo a má administração de Crivella e voltando para uma espécie de "porto seguro", representado pelo Paes.

A pesquisa ouviu 1.001 eleitores de 13 a 15 de outubro e foi registrada na Justiça Eleitoral com o número RJ-09221/2020. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e o nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro.


Fonte: oglobo.globo.com

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