Campanha de Crivella

Campanha de Crivella espera declaração de apoio de Bolsonaro duas semanas antes do primeiro turno

'Presidente vai entrar na campanha mais cedo do que se imagina', diz deputado bolsonarista que aderiu ao prefeito. Bolsonaro já anunciou apoio a oito candidatos

17/10/2020 por Redação Bernardo Mello e Felipe Grinberg

RIO - A campanha do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), aguarda por uma declaração de apoio do presidente Jair Bolsonaro até o início de novembro. Crivella trabalha para ser citado nominalmente por Bolsonaro numa das lives semanais do presidente, transmitidas às quintas-feiras. Bolsonaro tem declarado que anunciará seus candidatos a algumas prefeituras duas semanas antes do primeiro turno, marcado para 15 de novembro.

Nesta sexta-feira, Crivella recebeu a adesão do deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) à sua campanha à reeleição. Em live transmitida no apartamento do prefeito, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, Otoni disse que sua participação na campanha é um pedido de Bolsonaro, que estaria preocupado com a possibilidade de o segundo turno ser disputado entre o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e uma candidatura de esquerda. Paes, segundo Otoni, é aliado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto de Bolsonaro.

— A única maneira de o prefeito Crivella ganhar esta eleição é polarizando. Minha participação é no intuito de trazer o eleitor bolsonarista mais ideológico para a campanha. E o presidente vai entrar na campanha mais cedo do que se imagina — disse Otoni ao GLOBO, confirmando que a expectativa é de uma declaração de Bolsonaro no início de novembro.

Em viagem a Resende (RJ) na noite desta sexta-feira, Bolsonaro não quis falar se apoiará Crivella quando foi perguntado sobre o assunto:

— Você é da imprensa? Não vou falar com a imprensa — disse o presidente, que participará na manhã de sábado de uma formatura de cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

Bolsonaro já declarou apoio a pelo menos oito candidatos a prefeito ou a vereador nestas eleições municipais. Em sua live semanal no último dia 2, o presidente afirmou ter candidato a prefeito em São Paulo, Santos, Belo Horizonte, Fortaleza e Manaus, sem citar seus nomes. Na capital cearense, Bolsonaro disse que "tem um capitão", numa referência a Capitão Wagner (PROS). Em Manaus, o presidente se referiu a "um coronel do Exército", numa alusão a Coronel Menezes (Patriota).

O presidente também já se reuniu com o desembargador Ivan Sartori, candidato à prefeitura de Santos pelo PSD, e com Celso Russomanno (Republicanos), candidato em São Paulo, com quem inclusive posou abraçado para fotos. Em Belo Horizonte, o presidente gravou vídeos em apoio a Bruno Engler (PRTB).

Bolsonaro também gravou vídeo de apoio a duas candidatas a câmaras municipais: Sonaira Fernandes (Republicanos), ex-assessora do deputado Eduardo Bolsonaro e candidata em São Paulo; e Walderice Santos da Conceição (Republicanos), a "Wal do Açaí", que já foi apontada como funcionária fantasma de Bolsonaro e concorrerá a um cargo de vereadora em Angra dos Reis. O presidente afirmou ainda, em sua live, que tem "um candidato a vereador no Rio, o pessoal deve saber quem é". Um de seus filhos, Carlos Bolsonaro (Republicanos), é candidato a novo mandato como vereador no Rio.

Alta rejeição afasta aliados
Inicialmente, a campanha de Crivella contava com a participação direta de Bolsonaro apenas em um eventual segundo turno, no qual a participação do atual prefeito é incerta. Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira aponta que Crivella, com 12% das intenções de voto, segue tecnicamente empatado na segunda colocação com Martha Rocha (PDT), que tem 8%, e Benedita da Silva (PT), com 7%. A liderança é de Paes (DEM), com 30%.

Diante dos acenos de Bolsonaro a outros candidatos e da situação embolada nas pesquisas, Crivella passou a apostar de forma mais incisiva na exploração da imagem do presidente em sua propaganda eleitoral. A estratégia também vem sendo adotada, embora de forma mais discreta, pelo candidato do PSL, Luiz Lima, que é vice-líder do governo no Congresso Nacional e se tornou alvo do prefeito.

Aliados de Bolsonaro têm mostrado resistência em apoiar Crivella por conta da elevada taxa de rejeição do atual prefeito, que chega a 57%, segundo o Ibope. Por razão semelhante, o próprio Bolsonaro vetou a escolha de sua ex-mulher, Rogéria, como candidata a vice na chapa do prefeito, para evitar maior associação à campanha carioca. Rogéria, que também usa o sobrenome Bolsonaro, acabou se candidatando a vereadora pelo Republicanos, partido de Crivella.

Apesar da resistência inicial, que gerou uma "neutralidade" de deputados bolsonaristas no Rio, a articulação de Crivella em busca do apoio de Bolsonaro vem gerando as primeiras sinalizações da base do presidente. Além de Otoni, o deputado estadual Anderson Moraes (PSL) manifestou apoio a Crivella em live nesta semana e criticou o candidato de seu próprio partido, Luiz Lima, chamando-o de "traidor". Moraes e Otoni participarão de uma live com Crivella na próxima segunda-feira, dia 19. Entre os anunciados na live também estão os deputados estaduais Márcio Gualberto, Alana Passos e Filipe Poubel, todos aliados de Bolsonaro dentro do PSL, e que até agora não manifestaram apoio à reeleição do prefeito do Rio. (Colaborou Paulo Cappelli)


Fonte: oglobo.globo.com

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