Os poderes estão podres. Mas aliados.

O poder destruidor ou construtor dos poderes aliados.

Moro era uma espécie de ameaça aos "acertos" do STF e do STJ, e muito mais aos corruptos de Brasília. Em Curitiba deveria ser a sua permanência.

05/10/2020 por Por Raul Rodrigues

Sempre podemos analisar os fatos por analogia – baseado na história – que os resultados serão sempre surpreendentes. A margem de acertos é garantida em mais 80%. Porque assim caminha a humanidade.

Depois de concluirmos os fatos da assunção e queda do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, podemos com a clareza dos fatos declararmos que a sociedade continua tão massacrante e aniquiladora quanto nos tempos medievais. Quando não mata, esfola. E se esmola deixa para morrer dias depois.

A postura e posição séria do juiz Sergio Moro fez dele uma espécie de herói contra a bandidagem. Lula nunca foi inocente nem o PT uma associação anticrime. Essas eram as pregações de antes do poder. E poder é envolvente demais. Portanto, as condenações da quadrilha petista são deveras verdadeiras e reais. Mas até aí era o juiz em ação. Sobre a sua decisão apenas instancias superiores poderiam confrontá-lo. STJ e STF, mas dentro da Lei.

Ao aceitar o convite para ser ministro da justiça e da segurança nacional, Sergio Moro, jogou para trás toda a sua história de honradez e competência em quanto magistrado. Ali era a sua Casa de atuação. Muitos subordinados, poucos acima de si, e longe de ingerências políticas e nocivas. Mas a vaga do STF falou mais alto.

A ascensão de Moro no judiciário foi por meritocracia – concurso público – e currículo invejável. Acima dos comuns pela própria lei vigente, abaixo de quase ninguém como lhe convinha à personalidade. Era o homem certo no lugar certo.

Mas ao deixar o cargo de juiz federal e assumir o cargo de ministro, Sergio Moro adentrou a seara de outro poder. O poder da política cuja definição mater diz não ser de uma única opinião. Ela é sempre como sempre foi consensual. E isto significa a pluralidade das opiniões e não a do juiz. Moro teria passou a dever obediência a quem lhe indicou com o poder de lhe demitir. Eis o seu calvário.

Entendo qual antigo juiz que as linhas de investigações sobre os filhos do Presidente Bolsonaro deveriam seguir naturalmente, ele esqueceu que: ele não era mais o juiz inamovível e servidor público federal concursado. E acima desse fardo pesado existiam as forças “ocultas” da pluralidade – políticos corruptos, mas de mandatos cujas “heroicas” vidas pregressas estavam sob a “oitiva” de um judiciário forte e independente com claras possibilidades de afetá-los com prisões às dezenas. E Bolsonaro não precisaria mais de um ministro, e sim de um mandato.

E o poder dos poderes mesmo que podres prevaleceu e Sergio Moro foi destruído.


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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