Eleição para prefeito de Fortaleza

Eleição para prefeito de Fortaleza é teste para grupo político de Ciro Gomes

PDT lançou presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto, que vai enfrentar Capitão Wagner, ex-líder de motim policial

22/09/2020 por Redação Victor Farias

BRASÍLIA — Uma das três capitais sob o comando do PDT, Fortaleza tem uma eleição vista como “fundamental” por aliados de Ciro Gomes para pavimentar o caminho em uma eventual disputa presidencial em 2022. Mas, se por um lado, a manutenção de um aliado na prefeitura seria uma vitória expressiva, perder a eleição no estado em que construiu a carreira política poderia ter um impacto negativo sobre as pretensões do ex-ministro. Em 2018, no Ceará, Ciro teve mais votos para presidente que seus adversários.

Na tentativa de manter a administração da cidade, o PDT escolheu o presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto, como cabeça de chapa. O candidato a vice é Élcio Batista (PSB), ex-secretário da Casa Civil do governo do petista Camilo Santana. O PT, no entanto, não embarcou formalmente na aliança e lançou a deputada federal Luizianne Lins.

A força do grupo político dos irmãos Gomes no Ceará atraiu PSDB, DEM, PSD, PSB, PP, PTB, PL, Cidadania e Rede, formando a segunda maior coligação de todas as capitais. A disputa, no entanto, deverá apresentar turbulências para o PDT. Sarto, apesar de estar no sétimo mandato como deputado estadual, é menos conhecido que alguns de seus adversários. Segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi, a estratégia do partido será colar a imagem de Sarto às do prefeito Roberto Cláudio, Ciro e do senador Cid Gomes.

Um dos principais nomes da oposição é o deputado federal Capitão Wagner (Pros), que tenta pela segunda vez conquistar o cargo no executivo municipal, após ser derrotado no segundo turno em 2016. No pleito deste ano, ele conta com o apoio do Podemos, Republicanos, PMN, PMB, PTC, DC, PSC e Avante.

Wagner é militar de carreira e ficou conhecido após liderar uma paralisação de policiais no Ceará em 2011, durante o governo de Cid Gomes. Ele foi o deputado federal mais votado no estado em 2018 e tem uma atuação no Congresso voltada para a segurança pública, mas, segundo aliados, deve diversificar a pauta na corrida pela prefeitura.

Já no campo da esquerda, quem tentará voltar ao cargo que já ocupou duas vezes é Luizianne Lins. Há quatro anos, ela ficou em terceiro lugar na disputa. A ex-prefeita, no entanto, não conseguiu formar alianças com outros partidos e não deve contar com o apoio do governador Camilo Santana. Apesar de serem do mesmo partido, ele também é próximo do grupo político dos irmãos Gomes — o pai do governador, Eudoro Santana, será um dos coordenadores de campanha de Sarto.

Motim na pauta
Um assunto que estará na pauta da eleição é o motim de policiais militares que acabou com o senador Cid Gomes baleado, em fevereiro, no interior do Ceará. Sarto atuou a favor da aprovação de uma proposta de emenda à Constituição do estado proibindo a concessão de anistia a militares que aderirem a motins ou paralisações. Wagner, por sia vez, gravou vídeos apoiando as reivindicações da categoria, antes de o movimento de policiais por aumento de salário virar motim. Ele classificou como “legítima defesa” os tiros contra o senador, que avançou com uma retroescavadeira contra um grupo reunido na frente de um batalhão.

A disputa tem ainda como candidatos os deputados federais Célio Studart (PV) e Heitor Freire (PSL), os deputados estaduais Heitor Ferrer (SD) e Renato Roseno (Psol), a pedagoga Paula Colares (UP), o professor Anízio (PCdoB) e o presidente estadual do Patriota, Samuel Braga.


Fonte: oglobo.globo.com

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