Simulação de ataque

Em meio a tensões sobre Taiwan, vídeo da Força Aérea chinesa simula ataque a base americana

Governo de Taipei diz ter direito de reagir a 'assédios e ameaças' após chineses fazerem exercícios militares na costa

21/09/2020 por Redação Reuters

PEQUIM e TAIPEI – A Força Aérea chinesa divulgou um vídeo mostrando seu bombardeiro nuclear H-6 realizando um ataque simulado no que parecia ser a Base Aérea de Andersen, na ilha de Guam, que pertence aos Estados Unidos, enquanto tensões regionais continuam a crescer.

O vídeo, divulgado no sábado na conta da Força Aérea do Exército de Libertação Popular no Weibo, saiu no mesmo momento que a China realizada o segundo dia de exercícios militares próximo a Taiwan, para expressar a irritação de Pequim com a visita de autoridades do Departamento de Estado dos EUA a Taipei, capital da ilha, considerada pelos chineses uma província rebelde.

Guam abriga importantes instalações militares americanas, incluindo a base aérea, consideradas cruciais para responder a um conflito na região asiática do Pacífico.

O vídeo chinês, de dois minutos e 15 segundos, marcado por uma música dramática no estilo dos trailers de Hollywood, mostra o bombardeiro H-6 decolando de uma base no deserto, sob o título “O deus da guerra H-6K parte para o ataque!”.

Na metade do tempo, o piloto aperta um botão e dispara um míssil contra uma pista de pouso à beira-mar. O míssil atinge a pista e uma imagem de satélite mostra uma área que se parece exatamente coma base de Andersen, embora ela não seja explicitamente identificada.

A música para repentinamente quando aparecem imagens da terra tremendo, seguidas pela vistá aérea de uma explosão. “Somos os defensores da segurança aérea da pátria; temos a confiança e a habilidade para sempre defender os céus da pátria”, diz a breve descrição do vídeo.

Nem o Ministério da Defesa da China nem o Comando do Pacífico dos EUA responderam a pedidos de comentários sobre o vídeo.

Aviões H-6 estiveram envolvidos em diversos voos perto de Taiwan, de acordo com a força aérea da ilha, incluindo os da semana passada. O H-6K é o modelo mais recente do bombardeiro, baseado no antigo avião soviético Tu-16, lançado pela primeira vez na década de 1950.

Militares de Taiwan prometem reagir a ameaças chinesas

Nesta segunda-feira, o governo de Taiwan disse que suas forças armadas têm o direito de se defender e contra-atacar diante de “assédios e ameaças”, num aparente aviso à China, que, na semana passada, mando diversos aviões sobrevoarem o Estreito de Taiwan. As tensões têm se elevado nos últimos meses entre Taipei e Pequim, que considera a ilha parte de seu território, passível de ser retomada à força.

Diversos aviões chineses sobrevoaram o Estreito de Taiwan e entraram na zona de defesa aérea da ilha na sexta-feira e no sábado, fazendo com que Taipei enviasse jatos para interceptá-lo e que presidente taiwanesa Tsai Ing-wen classificasse a China como uma ameaça à região.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse em nota que tem “claramente definidos” os procedimentos para a primeira resposta da ilha em meio à “grande frequência de assédios e ameaças de navios de guerra e aviões inimigos este ano”. A nota acrescenta que Taiwan tem o direto de “se autodefender e contra-atacar” e que segue diretrizes de “não alimentar conflitos nem provocar incidentes”, concluindo que a ilha não fará provocações, mas também “não teme o inimigo”.

Os exercícios militares chineses da semana passada foram uma demonstração da irritação de Pequim com o crescente apoio americano a Taiwan, incluindo as visitas de autoridades dos EUA à ilha. Em agosto, Taipei recebeu o secretário (ministro) da Saúde americano, Alex Azar, e, na semana passada, Keith Krach, subsecretário de Assuntos Econômicos.

Embora não tenha relações diplomáticas oficiais com a ilha, Washington é um de seus sustentáculos internacionais, e pretende novas e volumosas vendas de armas a Taiwan.


Fonte: oglobo.globo.com

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