Solto pai por matar filha de 4 anos

TJ anula júri e manda soltar pai condenado a 24 anos de prisão por matar filha de 4 anos asfixiada em São Paulo

Ricardo Krause foi condenado em 2018. Menina morreu asfixiada com um saco plástico em 2015. Desembargadores acolheram pedido da defesa sobre divergência no voto dos jurados. Ele terá novo julgamento e aguardará em liberdade.

16/09/2020 por Redação Tahiane Stochero

O Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o júri que condenou o autônomo Ricardo Krause Esteves Najjar a 24 anos de prisão, em 2018, por matar a filha Sophia Kissajikian Cancio Najjar, de 4 anos, asfixiada em dezembro de 2015 em São Paulo.

Krause, que está preso desde 2018 pelo crime, será colocado em liberdade, segundo a decisão, divulgada pelo TJ na noite desta terça-feira (15). O Ministério Público poderá recorrer da decisão que anulou o júri para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Se isso não ocorrer, o pai de Sophia será levado a um novo júri, ainda sem data para ocorrer.

Os desembargadores que integram a 12ª Câmara Criminal de São Paulo entenderam, por decisão unânime, o julgamento realizado pelo júri que condenou Krause em 2018 era nulo, devido à "contradição dos quesitos dos jurados". Os magistrados determinaram a liberdade provisória do réu, que aguardará o novo julgamento em liberdade.

A defesa de Krause, o advogado Antonio Ruiz Filho, comemorou a decisão, afirmando ser "justa", após "ele aguardar tanto tempo preso pelo julgamento" e pela inconsistência na resposta dos jurados sobre a qualificadora do crime por meio de execução cruel, com o uso de asfixia, já que um dos jurados, segundo o advogado, mudou de opinião durante o julgamento dos quesitos.

Krause foi condenado por homicídio doloso (quando há intenção de matar) duplamente qualificado e está preso desde 2017 na Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba. A pena aplicada pelo júri foi de 24 anos e 10 meses de prisão. Ele também foi condenado pelos jurados por fraude processual, por ter alterado a cena do crime.

Agora, os desembargadores entenderam que, como ele espera por um julgamento há 5 anos preso, será posto em liberdade, para aguardar por um novo júri.

Ricardo Najjar Krause foi acusado pelo Ministério Público de cometer o crime no apartamento dele, no Jabaquara, Zona Sul de São Paulo.

A criança foi encontrada asfixiada com um saco plástico na cabeça. Para a defesa do pai, tratou-se de um "acidente doméstico" no qual a criança estava brincando com o saco

Quando houve a condenação do pai, o advogado da ex-mulher de Krause, a mãe de Sophia, comemorou a decisão. O pai e a mãe se separaram quatro meses após a menina ter nascido.

Ricardo Krause, segundo a investigação, ficava com a filha nos finais de semana mas, em uma quarta-feira ele ligou para a ex-mulher dizendo que pegaria a criança na escola. A mãe disse para a polícia que não tinha autorizado. No mesmo dia a menina foi encontrada morta lá dentro do prédio.

“Achei justa a pena para uma conduta muito mais que injusta. Um crime bárbaro, brutal, covarde, cruel. Um crime marcado por muitos predicados negativos, o que a juíza realçou bem”, afirmou Alberto Toron, advogado de acusação.

O crime
A menina morava com a mãe, mas passava alguns períodos com o pai. Foi no apartamento de Krause, na Zona Sul de São Paulo, que ela morreu, asfixiada com uma sacola plástica na cabeça.

Peritos e investigadores vasculharam duas vezes o apartamento, no primeiro andar de um prédio, no Jabaquara, e não encontraram sinal de que havia outra pessoa no lugar além da menina de quatro anos e do pai no dia do crime. Não havia sinais de arrombamento.

A namorada de Ricardo e a irmã dela, que também moram no apartamento, disseram para a polícia que não estavam em casa no dia do crime. Ricardo foi preso, dois dias depois, no velório da filha.

Os exames do Instituto Médico Legal concluíram que a criança apresentava manchas roxas pelo corpo, o tímpano rompido e uma lesão na parte interna da boca. O pai de Sophia sempre se disse inocente e contou à polícia que tomava banho e, quando saiu, encontrou a filha com uma sacola na cabeça sem respirar.

Krause foi preso durante o velório da menina. Um ano depois, em dezembro de 2016, o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltá-lo. Em sua decisão, ele considerou haver “excesso de prazo” na prisão temporária – decretada antes da condenação para preservar as investigações ou evitar novos crimes.


Fonte: g1.globo.com

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