Operação contra Crivella

Operação contra Crivella causa baixa em peça-chave da campanha de Eduardo Paes

Marqueteiro de Crivella em 2016, Marcelo Faulhaber foi flagrado em conversas com Rafael Alves, acusado de operar esquema de corrupção do atual prefeito

16/09/2020 por Redação Luiz Ernesto Magalhães

RIO — Deflagrada na quinta-feira passada, a operação que investiga o suposto “QG da Propina” na Riotur atingiu em cheio o grupo político do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e criou uma saia-justa no comitê do adversário Eduardo Paes (DEM), que tenta voltar ao cargo. Marqueteiro de Crivella na vitória de 2016, o economista Marcello Faulhaber era até a semana passada um dos principais estrategistas de Paes na atual campanha, mas, após ser alvo de mandado de busca e apreensão, foi afastado do posto-chave e teve o papel na campanha minimizado.

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) investiga a suspeita de que o grupo político de Crivella recebeu dinheiro para direcionar licitações e regularizar pagamento de fornecedores na prefeitura. Na representação do MP-RJ à Justiça, são reproduzidas várias conversas de Faulhaber com Rafael Alves, acusado de ser um dos principais operadores do esquema. Ambos trocaram 11,2 mil mensagens por WhatsApp entre junho de 2017 e setembro de 2018 — período em que Crivella já ocupava o cargo. O marqueteiro reclamava com Alves por não ter recebido o que havia combinado por prestar consultorias para o governo e ameaçava ir ao Ministério Público contar tudo o que sabia sobre Crivella.

O papel de Faulhaber no governo Crivella não foi bem visto no entorno do prefeito. Ao economista, é atribuída a iniciativa de reduzir ao mínimo os cargos de chefia nos primeiros meses de gestão. A medida afetou a rotina da prefeitura, porque deixou postos estratégicos sem comando em áreas como financeiro e de emissão de licenças. No primeiro mês, a emissão da folha de pagamento correu o risco de atrasar , porque, até meados de janeiro, não havia quem autorizasse os pagamentos.

Idas e vindas
Procurado, Paes não se manifestou. O comando de campanha tenta evitar o assunto. Faulhaber tem um temperamento considerado forte, assim como o ex-prefeito, e a relação dos dois é marcada por idas e vindas. O candidato e o economista se reaproximaram na campanha derrotada ao governo do estado, há dois anos. Um integrante da campanha de Paes minimizou a saída e afirmou que o papel de Faulhaber era ajudar na montagem de parte do plano de governo. “Concluiu sua tarefa e saiu. Nada demais”, disse.  Questionado sobre o papel do economista na atual campanha à prefeitura, o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) ressaltou apenas que o coordenador de campanha de Paes será o ex-ministro da Cultura e deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), como adiantou ontem o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.

Procurado nesta terça-feira, Faulhaber não foi localizado para comentar.


Fonte: oglobo.globo.com

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