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Discurso de posse de Pazuello explica como interino virou efetivo na Saúde

16/09/2020 por Renata Mariz

O salão lotado do Palácio do Planalto na cerimônia de posse de Eduardo Pazuelo como ministro efetivo da Saúde mostra não só trangresssão à regra de não fazer aglomeração em meio à pandemia. Indica que Pazuello chega com prestígio para continuar fazendo exatamente o que tem praticado: uma política alinhada aos interesses do presidente Jair Bolsonaro. O recado foi dado logo no início de sua fala: "será um discurso de continuidade".

Habilidoso com as palavras, o ministro fez um discurso sob medida com acenos a Bolsonaro, ao defender bandeiras do chefe como o "tratamento precoce", mas sem verbalizar polêmicas desnecessárias, como uma defesa apaixonada da hidroxicloroquina, papel que coube ao próprio Bolsonaro na cerimônia. Pazuello, no entanto, já trabalha para incluir o remédio, que não tem comprovação científica de eficácia contra a Covid-19, no programa Farmácia Popular, para ser distribuído à população.

Com o mesmo discurso cuidadoso, ele desferiu críticas ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, sem citá-lo, ao dizer que "não era o melhor remédio o 'fique em casa' esperando falta de ar", numa referência à diretriz defendida pelo chefe da Saúde que acabou demitido por Bolsonaro no início da pandemia. E destacou que o "colapso" dos hospitais, outra menção indireta aos riscos salientados pela gestão Mandetta, "não vai acontecer".

Por saber da importância de gestos simbólicos nos espaços de poder, Pazuello exibiu a pegada política que seus interlocutores já conhecem. Passou um minuto citando a presença de algumas autoridades na posse, sem deixar de ressaltar as entidades de secretários estaduais e municipais de Saúde e enaltecer o SUS.

Prestou ainda solidaridade às vítimas da Covid-19 e suas famílias, ao mesmo tempo em que levantou a bola de que o Brasil é um dos países com mais "recuperados", sem dizer que isso vem acompanhado da nada honrosa colocação também entre as primeiras no ranking de locais com mais casos e mortes do mundo. Atribuiu à própria equipe uma "reestruturação" do ministério e assinalou os números decrescentes da Covid-19.

Na lista de ações para o combate à pandemia, nada de novo: repetiu promessas como duplicar a capacidade de testagem no país e investir na obtenção de uma vacina. Com máscara estampando a bandeira do Brasil, Pazuello permanece no governo como forte candidato a um dos mais fieis ministros de Bolsonaro.


Fonte: OGlobo.com

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