Corrida do consumidor

Supermercados de Maceió limitam compra de óleo de soja por consumidor para evitar desabastecimento

Além de só comprar número limitado, consumidores reclamam de preços altos de mais produtos.

14/09/2020 por Michelle Farias

Para evitar desabastecimento, alguns supermercados de Maceió limitaram a quantidade de óleo de soja que cada cliente pode comprar. O limite de produtos foi estabelecido depois da alta de preços dos alimentos em todo o Brasil. Além dessa restrição, consumidores também se queixam dos valores cobrados pelos produtos.

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Em um supermercado no bairro de Mangabeiras, o limite do óleo de soja por pessoa é de no máximo cinco unidades.

Segundo o presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas (ASA), Raimundo Barreto, o motivo da alta é que muitos alimentos foram exportados para outros países, principalmente a China.

"O caso não é específico em Alagoas, mas em todo o país. Como o dólar está em alta, muitos alimentos foram exportados, então, para evitar que falte na mesa do consumidor, nós estamos promovendo esse consumo consciente”, disse.

O economista Cícero Péricles explicou a elevação no preço do óleo de soja.

“A soja, que é o produto do óleo, é muito exportada. No Nordeste, há apenas dois lugares que produzem e, mesmo assim, eles são exportados. Nosso consumo vem do Sul e do Sudeste. Como a soja foi exportada, há pouca no mercado. Mas outros produtos também estão mais caro, como a carne, o frango e até o ovo”, disse.

O aposentado Manoel de Carvalho sentiu no bolso a alta dos preços. Ele disse que há 15 dias comprou feijão verde por R$ 8 o quilo, mas na semana seguinte, o mesmo produto estava por R$ 16.

“Eu nem acreditei. Perguntei o que tinha de tão especial nesse feijão pra ter aumentando tanto o preço”, disse.

Para o economista, a alta do dólar, que vale hoje R$ 5,30, fez aumentar a exportação também de outros produtos.

“Com o dólar alto, o produtor prefere vender para fora e aproveitar essa alta. No caso do arroz, estamos no período de entressafra, isso quer dizer que até janeiro, não teremos produção de arroz. Como esse alimento foi vendido para fora do país, o que tem hoje está com o preço bem mais alto”, explicou Cícero Péricles.

Péricles reforça que a inflação é medida por um conjunto de segmentemos, entre eles o de alimentação, por isso não é possível medir o preço dos alimentos apenas com a inflação.

“Há outros blocos na inflação, então ela não pode ser parâmetro para essa análise. Tem que medir a inflação oficial dos alimentos, que está em torno de 15%. E levar em consideração também a alta do dólar. Mas ainda não estamos vivendo um desabastecimento. As pessoas devem ficar tranquilas e adotar esse consumo consciente. Mas se todo mundo ficar comprando sem necessidade, podemos ter desabastecimento”, afirmou.

 


Fonte: G1 AL

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