SÃO PAULO

Daniel Alves completa um ano como jogador do São Paulo; relembre trajetória no clube

Comentaristas analisam desempenho e projetam futuro do camisa 10 no Tricolor

01/08/2020 por Eduardo Rodrigues

Há exatamente um ano, o São Paulo anunciava Daniel Alves, um dos maiores reforços da história do clube. A contratação do jogador mais vencedor do futebol mundial – são 40 títulos – se tornou um marco e motivo de comemoração dos torcedores e diretoria.

A surpresa da transferência de Daniel Alves a uma equipe do futebol brasileiro se deu por alguns fatores. Embora estivesse com seus 36 anos, o jogador estava atuando em alto nível no PSG, da França, e tinha mercado aberto na Europa. Além disso, ele havia acabado de levantar o troféu da Copa América com a seleção brasileira como um dos melhores do torneio.

Mas o projeto a longo prazo do São Paulo e o fato de ser torcedor são-paulino declarado pesaram na decisão. No dia 1º de agosto de 2019, o Tricolor anunciava Daniel Alves com um vídeo em que ele dizia:

– Agora é 2019, e eu poderia ter escolhido qualquer lugar para jogar, mas escolhi voltar para o Brasil, pelo meu país, pelo meu povo, pelo meu clube de coração. É irreal, mas estou aqui.

A apresentação, no dia 6 de agosto, foi de um superastro: recado de Messi, 44 mil pessoas no Morumbi e uma enorme festa com fogos de artifício e homenagens.

O São Paulo não pagou pela transferência de Daniel Alves, já que ele estava livre no mercado naquele momento. Mas entre salários, luvas, bônus e acordo pelos direitos de imagem, o clube terá um gasto de cerca de R$ 1,5 milhão por mês. O pagamento é feito semestralmente.

O valor que corresponde somente aos salários pagos pelo São Paulo é de aproximadamente R$ 500 mil. As parcelas da imagem poderão ser pagas com a ajuda de parceiro. O clube, após um ano, não conseguiu nenhum.

Por enquanto, o investimento não deu resultado esportivo. Nesse período, o Tricolor conseguiu a quinta colocação do Brasileirão do ano passado, conquistando assim a vaga para a fase de grupos da Libertadores, e amargou uma eliminação vista como vexatória para o Mirassol, na última quarta-feira, pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

A estreia
Mesmo após retornar de férias, Daniel Alves não demorou para fazer sua estreia pelo São Paulo. No dia 18 de agosto, o jogador entrava no Morumbi com a camisa 10 e a responsabilidade de ser a referência da equipe.

Foram necessários, então, 39 minutos para Daniel Alves fazer seu primeiro gol pelo Tricolor e garantir a vitória sobre o Ceará, por 1 a 0, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro (relembre no vídeo acima).

Naquela ocasião, o jogador atuou como meio-campista armador e saiu do Morumbi ovacionado pela torcida presente.

Lateral ou meia?
Depois da boa estreia diante do Ceará, Daniel Alves não conseguiu manter o seu faro goleador, e um debate ganhou força: o camisa 10 deveria atuar como meia ou como lateral-direito, posição que o consagrou na Europa?

O então técnico Cuca fez diversos testes. Em determinados momentos começava com Daniel Alves no meio de campo e o colocava na lateral durante a partida. Em outros, iniciava com ele na lateral e terminava como meia. Diante do Athletico-PR, inclusive, Daniel Alves foi até atacante.

Em meio a essa indefinição do melhor posicionamento do jogador, o São Paulo não vivia o seu melhor momento na temporada e as vitórias não apareciam. A queda na tabela do Brasileirão foi iminente, e as críticas dos torcedores recaíram sobre todos, inclusive em Daniel Alves.

Cuca pediu demissão sete jogos após a estreia de Daniel Alves. Fernando Diniz, então, assumiu e apostou desde o início no camisa 10 atuando no meio de campo.

Sem chances de título do Brasileirão, a pressão sobre o elenco era grande e os primeiros quatro meses de Daniel Alves no São Paulo não foram os melhores possíveis. Ele, inclusive, não poupou críticas aos bastidores políticos do clube.

Bom início de temporada e primeira decepção
A temporada de 2020 começou com grande expectativa. O técnico Fernando Diniz arrumou um nova função para Daniel Alves, a de segundo volante. E rapidamente a tentativa mostrou efetividade.

Logo no primeiro jogo do ano, contra o Água Santa, o jogador fez um gol seguindo a "cartilha" de Diniz: jogada iniciando no campo defensivo, com movimentações a todo instante, participação de diversos jogadores e encerrando em Daniel Alves, um dos principais articuladores da jogada (relembre abaixo o "golaço tático"):

A nova função deu mais liberdade para Daniel Alves, e os gols começaram a sair com maior naturalidade. Após o gol contra o Água Santa, o jogador fez mais quatro e se tornou o artilheiro da equipe no ano.

Os números são os melhores do jogador em um início de temporada por clubes desde o início da carreira. Após os primeiros 11 jogos, Daniel Alves jamais havia marcado cinco gols.

A boa fase do jogador, porém, não vem dando resultados positivos para o clube até o momento. Na última quarta-feira, o São Paulo foi eliminado pelo Mirassol, pelas quartas de final do Campeonato Paulista, e aumentou a lista de vexames recentes.

Análise dos especialistas
Muricy Ramalho
"Jogador diferenciado, que encontrou a sua posição, na minha opinião, junto com o Diniz, ali no meio de campo. Ele sabe se posicionar, sabe fazer a leitura de jogo, sabe fazer a transição da defesa para o ataque. É um cara muito importante no esquema tático do São Paulo.

A outra coisa importante é que o São Paulo precisa de jogadores vencedores. O Daniel Alves é um vencedor, onde vai ganha títulos, então ele sabe o caminho. Tem muita experiência internacional, então isso é muito importante para o time do São Paulo que tem vários jovens jogadores. O clube precisa de um líder positivo como o Daniel. Ele sempre está pronto para ajudar, e isso também é fundamental.

Além de ser um grande jogador dentro de campo, um dos melhores do futebol brasileiro, na minha opinião, fora dele, como líder, é importantíssimo. O São Paulo está com um cara que com certeza vai ajudar o São Paulo a buscar títulos."

PVC
"Daniel deveria ser a cereja do bolo de um projeto vencedor. O toque de experiência para os garotos formados em Cotia e misturados a contratações importantes como Pablo e Pato. Hoje, é vitima de um clube que demora a se encontrar.

É o ponto de apoio do sistema de Fernando Diniz, mas, como a torcida, está à espera de que o jogo se sedimente. Saiu inconformado com a derrota para o Mirassol. Porque seu sonho é ser campeão no clube de infância. Em vez disso, pode ser objeto de debate na campanha eleitoral, com candidatos que apontarão a dívida e os gastos. Daniel ainda é custo. Mas chegou ao Morumbi para ser lucro e campeão. Não está fácil."

Alexandre Lozetti
"Daniel Alves é craque. Individualmente, um dos grandes nomes que já vestiram a camisa do São Paulo. O maior campeão da história do futebol. Até a semana passada, era elogiável a utilização de Daniel Alves como meio-campista, um condutor do bloco que ataca e defende, que se organiza com base em aproximações, tabelas e triangulações.

Dani vê o jogo com câmeras exclusivas. Antevê movimentos e progressões. Quanto mais simplificou, melhor atuou e fez o São Paulo atuar. Foi o melhor jogador da primeira fase do Campeonato Paulista. Em alguns momentos, perdeu o senso de urgência que habita em seus torcedores e exagerou na plástica. Sua missão é tornar o São Paulo mais eficiente e impiedoso com os adversários. Prático. Direto.

No desastroso jogo contra o Mirassol, o capitão perdeu muito tempo entre os zagueiros, um auxílio excessivamente luxuoso e nem tão necessário. Ficou longe daqueles jogadores com quem mais tricota em campo: Tchê Tchê, Igor Gomes e até mesmo Juanfran. Longe de onde pode ser decisivo. O São Paulo precisa ser mais veloz para ampliar os espaços e permitir que, neles, Daniel Alves use melhor toda sua categoria."


Fonte: g1.globo.com

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