Documento histórico relata vinda do Festival

Relato de memória viva da Fundação do Festival de Cinema em Penedo

Ficando comprovada a decisão apolítica da vinda do Festival de Cinema para Penedo-AL, nossa história ganha ainda mais méritos.

27/07/2020 por Ricardo Cravo Albin

Ivone, abaixo meu pequeno testemunho.   

Caros amigos e parentes nesta noite presentes aqui na live sobre o Cine São Francisco valho-me da fidalguia da historiadora e querida amiga Ivone Peixoto para acrescentar uma pequena contribuição de lembranças históricas a este grande evento.

Quando presidia a Embrafilme acumulando com o Instituto Nacional do Cinema criei um plano para promover o filme brasileiro e aumentar as bilheterias do parque das casas de exibi ação em todo o país. A primeira ideia que coloquei à mesa com todos meus diretores foi criar festivais de filmes brasileiros nas principais capitais.

Logo a notícia se espalhou e começaram a chegar dezenas de pedidos das mais diversas capitais. Designei o diretor e dramaturgo Geraldo Queiroz para sanear as salas de cada candidata a sediar os festivais e decidir quais seriam as projeções ideais e as acomodações mais confortáveis para alojar os convidados.

Na reunião de decisão fui informado de que muitas cidades do Nordeste não tinham condições de um bom cinema. Era o que eu esperava.  Tirei da manga do colete meu trunfo para juntar quatro Estados do Nordeste em um único festival. Nomeei a conjugação ideal: Hotel e cine São Francisco.

Todos os diretores ficaram surpresos e imaginavam que eu estaria a defender causa pessoal. Para encerrar a ousadia de alguns, enviei a verificar meus indicados, (cinema e hotel), e, em segredo, o diretor responsável pelo setor, Festivais, para visitar o conjunto cinema mais hotel, meus indicados sob desconfiança geral.  No dia seguinte recebo um telefonema eufórico do meu enviado a Penedo.

A frase mais discreta foi - presidente, eu ainda não estou acreditando no que acabo de ver.

Tampouco acreditando no que conheci nesta cidade que é uma magia só.  Ouso até dizer que vale pensar em fazer de Penedo com sua perfeita sala de projeção o grande festival para o Nordeste.

Claro que aprovei de pronto a ideia. E ali fiquei responsável pela divulgação. E pelo aval da terra de Zuleica Cravo Albin, minha mãe, filha do empreendedor Cícero Cravo, avô comum meu e de outro penedense ilustre Enaldo Cravo Peixoto. Desculpem-me a emoção de sacar da algibeira fragmentos de memórias muito estimadas de minha vida.
Mas a maior amiga de infância e pela vida toda de minha mãe foi Leonor Peixoto, minha querida Tia Nonô. E aproveito para encerrar saudando os pioneiros do progresso da Princesa do rio São Francisco, nossa Penedo, titulados pelo querido tio Zeca Peixoto. Em cujo nome saúdo toda a família.

Ricardo Cravo Albin


Fonte: correiodopovo-al.com.br - por Ivone Peixoto

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