Acordo de Paris e queda do desmatamento

Empresas pedem implementação do Acordo de Paris e queda do desmatamento, diz Mourão

Vice-presidente se reuniu com empresários nesta sexta. Acordo de Paris prevê medidas para combater aquecimento global; Bolsonaro já disse que poderia retirar o país, mas voltou atrás.

11/07/2020 por Pedro Henrique Gomes e Guilherme Mazui

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta sexta-feira (10) que empresários pediram a ele que o Brasil implemente o Acordo de Paris, reduza o desmatamento e implemente o mercado de crédito de carbono.

Mourão deu a declaração em uma entrevista coletiva após ter participado de videoconferência com empresários de diversos setores da economia (leia detalhes mais abaixo).

O Acordo de Paris foi assinado por 195 líderes mundiais em 2015 e prevê que países devem manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC.

Em 2018, durante a campanha eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do acordo se fosse eleito.

Depois, ainda na campanha, Bolsonaro voltou atrás e disse que não iria retirar o país. O presidente americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo.

Questão 'pacificada'
Depois da reunião, a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, disse que os representantes das empresas consideram que a hipótese de o Brasil deixar o Acordo de Paris não esteja mais em discussão.

"Já houve essa suspeita lá atrás [de o Brasil deixar o Acordo de Paris], e todas as empresas partiram do princípio que é importante o Brasil estar no acordo. Isso torna as empresas mais competitivas. Isso está pacificado. Não existe essa questão de sair do Acordo. O Brasil tem que ser visto com uma potência ambiental”, declarou Marina.


Em entrevista coletiva virtual, a presidente do CEBDS disse que Mourão, apesar de ainda não ter apresentado metas, assumiu compromisso pelo combate ao desmatamento ilegal.

Marina Grossi disse que a postura do Brasil em relação ao meio ambiente está “arranhando” a imagem do país no exterior e afetando negócios, levando o investimento estrangeiro ao menor patamar dos últimos anos.

Ela também defendeu a comercialização de créditos de carbono, o que pode injetar bilhões de dólares na economia brasileira anualmente. Sobre Amazônia, Marina disse que o agronegócio representado na reunião entende não ser necessário o avanço da produção sobre a floresta e que a rastreabilidade do gado é importante para a exportação.

Desmatamento
Nesta sexta, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) atualizou os dados sobre alertas de desmatamento na Amazônia (veja detalhes no vídeo acima).

Conforme o Inpe, a região registrou 1.034,4 km² de área sob alerta de desmatamento em junho, recorde para o mês em toda a série história, que começou em 2015.

Segundo Mourão, os empresários pediram a ele nesta sexta-feira que o Brasil reduza o desmatamento.

"Todos eles [empresários] colocam a questão de temos que ter uma meta de desmatamento. Temos que reduzir o desmatamento ao mínimo aceitável e, obviamente, as pessoas precisam entender que não se pode mais desmatar”, disse o vice-presidente.

"Hoje, para mim, é uma leviandade chegar e dizer que vou cortar em 50% o desmatamento se não tenho meios para dizer isso hoje. Eu prefiro que a gente consiga terminar o nosso planejamento e dizer que, daqui até 2022, a cada semestre vamos reduzir em X por cento até chegarmos no ponto aceitável", completou.

Conselho da Amazônia
À frente do Conselho da Amazônia, Mourão iniciou na quinta (9) as conversas com investidores. O objetivo do governo é explicar as ações adotadas para preservação da floresta, diante das críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.

Desde o mês passado fundos e empresários registraram, em cartas ao governo, a preocupação com o aumento do desmatamento e das queimadas, o que coloca em risco negócios no país. Há o receio do impacto, por exemplo, nas exportações do agronegócio.

A videoconferência desta sexta responde a uma carta de executivos de 38 grandes empresas brasileiras e estrangeiras sobre o tema. Antes da reunião, Mourão afirmou em uma rede social que apresentará propostas do Conselho da Amazônia e ouvirá dos empresários como eles poderão auxiliar o trabalho do governo.

Conforme o vice-presidente, participaram da reunião desta sexta:

Marina Grossi, Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS);
Marcello Brito, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG);
Paulo Hartung, Presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ);
João Paulo, CEO América Latina da Natura;
Water Schalka, CEO da Suzano;
André Araujo, CEO da Shell;
Paulo Sousa, CEO da Cargill;
Marcos Antonio Molina dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Marfrig;
Candido Botelho Bracher, CEO do Itaú;
Luiz Eduardo Osorio, diretor-executivo de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Vale.

Fundos estrangeiros
A primeira videoconferência comandada por Mourão teve a participação de representantes de oito fundos de investimentos estrangeiros. Segundo o vice-presidente, os fundos esperam resultados concretos, como a redução do desmatamento, para realizarem investimentos no Brasil.

Os fundos enviaram no mês passado uma carta aberta às embaixadas brasileiras de oito países (Estados Unidos, Japão, Noruega, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, França e Holanda) para citar a preocupação com o aumento do desmatamento no Brasil. Grupo europeus ameaçam retirar recursos do Brasil se não forem adotadas ações para conter a devastação.

O vice-presidente disse, em entrevista, que apresentou ações de preservação da floresta e afirmou que o “desmonte” de órgãos como Ibama e ICMBio foi realizado por governos anteriores.

Após a videoconferência, os fundos internacionais divulgaram notas nas quais afirmaram que acompanharão os resultados do Brasil na preservação ambiental.


Fonte: g1.globo.com

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