Atrito com Lava Jato

Procuradora que entrou em atrito com Lava Jato retira candidatura a conselho do MPF

Força-tarefa da Lava Jato acionou Corregedoria após Lindôra Araújo pedir acesso a dados. Eleição será na terça (30); retirada da candidatura foi comunicada em rede interna.

29/06/2020 por Márcio Falcão e Camila Bomfim

A subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo informou neste domingo (28) na rede interna de do Ministério Público Federal que decidiu retirar a candidatura a uma vaga no Conselho Superior da instituição.

"Colegas, em razão de inúmeras atividades que venho exercendo, resolvi retirar minha candidatura ao CSMPF pelo colégio de subprocuradores e peço apoio e também votos nos excelentes colegas Hindenburgo e Caetana, que concorrem e têm demonstrado independência, firmeza e pensamento apenas em benefício a sociedade ao MPF. Aproveito ainda para agradecer todo o carinho recebido que tem um significado muito especial”, escreveu Lindôra neste domingo.

A decisão foi anunciada dias após a força-tarefa da Lava Jato no Paraná ter acionado a Corregedoria do MPF. A subprocuradora-geral é a coordenadora do grupo de trabalho da operação na Procuradoria Geral da República (PGR).

A força-tarefa no Paraná diz que, na semana passada, Lindôra ter solicitado informações, inclusive sigilosas, como relatórios financeiros, dados de autoridades e documentos de buscas e apreensões.

Ainda de acordo com os procuradores, a coordenadora da Lava Jato na PGR não formalizou os pedidos de acesso, nem disse se existe procedimento instaurado que justificasse o compartilhamento de dados. A ação de Lindora foi considerada, pelos procuradores no Paraná, fora do padrão e pareceu indicar que havia uma investigação sobre a força tarefa.

As divergências com Lindora motivaram a saída de quatro dos sete procuradores que atuavam na Lava Jato na PGR. Para a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), as saídas podem prejudicar as investigações. A PGR diz que não haverá prejuízo.

Conselho do MPF
O Conselho Superior do Ministério Público analisa questões administrativas do MPF, especificamente da gestão da instituição. É considerado um órgão de cúpula.

A votação está marcada para esta terça-feira (30) e participam somente os subprocuradores-gerais da República.

Na semana passada, o procurador-geral da República, Augusto Aras, sofreu uma derrota no conselho. Isso porque dois subprocuradores-gerais que fazem oposição ele foram eleitos: Mário Bonsaglia e Nicolao Dino. Lindôra Araújo é uma das auxiliares mais próximas de Aras.

Internamente, a eleição de Bonsaglia e Dino foi vista como um recado sobre a insatisfação da categoria com o atual chefe do Ministério Público. Augusto Aras apoiava as candidaturas dos subprocuradores-gerais da República Carlos Frederico Santos e Maria Iraneide Facchini.

Lista tríplice para PGR
Mário Bonsaglia chegou a concorrer à lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), em 2019, e foi o mais votado. A lista foi entregue pela ANPR ao presidente Jair Bolsonaro com os nomes sugeridos pela categoria para a indicação do novo procurador-geral da República.

À época, porém, Bolsonaro optou por indicar Augusto Aras, que não integrou a lista. O presidente da República não é obrigado a escolher um dos três procuradores da lista, mas, nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e também nos dois de Dilma Rousseff, o escolhido para a PGR foi o primeiro da lista. Em 2017, Temer escolheu Raquel Dodge, segunda da lista.


Fonte: g1.globo.com

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