Prefeitura de SP distribui cloroquina

Prefeitura no interior de SP distribui remédio para malária a pacientes com Covid-19 desde abril

Segundo o prefeito de Porto Feliz, cada kit de remédios com cloroquina custa menos de R$ 40.

22/05/2020 por Daniela Golfieri

O kit de remédios que inclui a hidroxicloroquina começou a ser distribuído no começo de abril para pacientes com sintomas leves de coronavírus em dois postos de saúde e no pronto-socorro de Porto Feliz (SP).

A aplicação começou antes do protocolo do Ministério da Saúde, divulgado na quarta-feira (20), e que liberou no Sistema Único de Saúde (SUS) o uso da cloroquina em casos leves da Covid-19.

Em Porto Feliz, a decisão de incluir o remédio nas ações da rede municipal de saúde foi do prefeito Antônio Cássio Habice Prado, que é médico e cirurgião.

A TV TEM procurou o prefeito para que ele falasse sobre a iniciativa, mas a assessoria de imprensa informou que ele não poderia gravar. Pela internet, em outra entrevista, ele explicou quais são os remédios que estão sendo distribuídos para os pacientes.

O presidente Jair Bolsonaro defende o uso da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Mas não há comprovação científica de que esse remédio seja capaz de curar a Covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no medicamento, e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda a utilização.

O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. No intervalo de menos de um mês, os dois deixaram o governo.

Nesta semana, o presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, que lidera uma das maiores pesquisas sobre o uso da hidroxicloroquina no país, falou que o estudo está sendo feito em 400 pacientes. Mas ainda não há nenhuma conclusão.

O prefeito de Porto Feliz explicou que cada kit de remédios custa menos que R$ 40 e que já foram distribuídos mais de 200 kits.

Contudo, a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda o uso destes medicamentos em pacientes com a Covid-19.

Depois que o governo federal liberou o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no SUS, a entidade divulgou um documento onde reafirma a falta de evidências científicas que justifiquem o uso destes medicamentos. A entidade defende que, por enquanto, o uso destas substâncias seja feito só para pesquisas.

A entidade afirma que os estudos das substâncias, associadas ou não ao antibiótico azitromicina não apresentaram eficácia no tratamento e não devem ser recomendados como rotina para os pacientes.

Informa também que alguns estudos mostraram alteração no coração verificada no eletrocardiograma, que está associada a arritmias que podem ser fatais.

A Sociedade Brasileira de Infectologia diz ainda que o médico que quiser prescrever os medicamentos deve compartilhar com o paciente a falta de evidência cientifica e também o potencial risco do uso.


Fonte: g1.globo.com

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