A vida lutando contra a morte

Na linha de frente, técnica de enfermagem relata dia a dia de medo e esperança em AL

Para quem não conhece a realidade duro é conviver entre a vida e a morte.

20/05/2020 por Daniel Paulino*

Enquanto boa parte da população está há mais de cinquenta dias dentro de suas residências, devido a pandemia do Covid-19, o novo coronavírus, técnicos e auxiliares de enfermagem tem passado mais tempo dentro de unidades de saúde, para que possam dar assistência e suprir a imensa demanda que tem chegado aos hospitais.

A rotina destes profissionais sofreram algumas modificações, desde o aumento de atendimentos até a presença de novos sentimentos durante a guerra fria em que vive o país contra o vírus. Foi pensando em entender e conhecer um pouco mais da rotina destes profissionais que o CadaMinuto conversou com Aldenise Bispo, que técnica de enfermagem há 18 anos e atua na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro do Benedito Bentes, na parte alta de Maceió.

A técnica de enfermagem explicou que já viveu muitas situações, mas nunca pensou que pudesse ter que enfrentar um período comparado a uma guerra, como esse que estamos vivendo. Na tentativa de entender se o sentimento de orgulho, por ser uma profissional que tem lutado como pode para salvar vidas, ou o de medo tem prevalecido, Aldenise foi muito além e destacou o que sente.

“Os dois sentimentos andam lado a lado, mas o que prevalece é o compromisso que fiz jurando perante a sociedade, de cuidar da saúde e bem estar do próximo, mesmo sabendo que muitas vezes eu sabia que teria que arriscar a minha própria vida”, disse a profissional de saúde.

Por trabalhar na linha de frente, que atua no combate de vítimas do Covid-19, tem sido inevitável não conhecer colegas de trabalho que acabaram por um descuido ou outro, sendo contaminados. A técnica de enfermagem disse que apesar de não ter sido contaminada, conhece colegas de trabalho que foram acometidos pelo quadro viral e já chegou a perder parentes, amigos e vizinhos para a doença.

“Fico muito triste com tudo isso. Causa angústia, sentimento de fracasso diante da situação e gera muito medo em saber que também poderemos levar para nossas casas e contaminar nossos familiares e sentirmos culpadas por isso. Adoecendo corpo e a mente’’, comentou Bispo.

Por fim, assim como boa parte dos brasileiros, Aldenise, de 38 anos, mostrou que não perdeu a esperança e que tem fé que há alguém de muito poder a cuidar de todos aqueles que aqui na terra propagam o bem sem olhar a quem. “Todos os dias peço a Deus proteção  a mim e a todos meus colegas  de trabalho para que possamos enfrentar esta batalha e conseguimos juntos a vitória. Sou  uma pessoa de muita fé em Deus. Tenho confiança e esperança que tudo vai passar e iremos viver em paz”, finalizou.

*Sob supervisão da editoria e com assessoria


Fonte: cadaminuto.com.br

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