Os sinais do tempo

Os chamamentos da natureza pelas vias dolorosas são sinais de Deus.

A cidade está quase parada, os serviços essenciais funcionando, o povo sem entender o que fazer para passar um pouco de tempo com Deus.

26/03/2020 por Por Raul Rodrigues

Todos nós sabemos que observar a natureza é algo belo. De certo que belíssimo. As observações nos levam à contemplação do que foi feito pelas mãos de Deus, e por algumas vezes, entendido pela mente humana. O que nem sempre acontece. Mas para quem pode acreditar na fé, a porta está aberta o receber das mensagens divinas.

Em tempos de pandemia, isolamento social imposto pelas regras máximas de preservação à saúde de à vida, eis que surgem outras oportunidades de observarmos a cidade donde nascemos e vivemos, e vive muito mais em nosso esquecimento diário que no adormecido consciente de qual bela é Penedo. E nesta manhã entre sol e chuva, capturar algumas imagens nos fez lembrar dias outros de mera e rara beleza.

Entre as chuvas que caiam em frente à nossa residência, situada na Rua Fernandes de Barros – sítio histórico – via mais uma vez telhados e a umidade do ar mostrando que precisamos cuidar mais de nós mesmos. E isto é um fato constatado agora e sem deixar dúvidas.

As águas da chuva lavam telhados, a umidade do ar deixa denso o ambiente de poluído alcance aos nossos olhos, mostrando que não temos tempo pequenas olhadelas ao nosso derredor. Que pena que somos ou chegamos a tão mesquinha condição de isolarmos os que estão mais próximos de nós. A janela da nossa própria casa, o olhar por sobre o muro se temos mais de uma andar, ou as portas que nos abrem os horizontes à nossa frente.

O som das chuvas nos remete aos tempos sem tecnologia, aos banhos de bica das calhas das casas seculares, das corridas por entre praças ou ruas em meio aos nossos amigos de infância cujas brincadeiras eram todas elas à base que produzíamos – carrinhos de lata de óleo, bolas de velhas meias cheias de papel, patinete de rolamentos reutilizados, rouba-bandeira, queimado, jogo de bola, ximbra ou furão, durango ou bicho de se esconder – contanto que as horas passassem até a chegada hora do almoço ou do café da noite.

A cidade quase que continua a mesma. Nós é que mudamos. Apaixonamo-nos pelas novas barreiras da modernidade – deixamos o telegrama galante, esquecemo-nos dos bilhetes, cartas nem se falam mais, e recado de paquera para a menina ao lado, tudo isso foi destruído. O tempo substituiu a tudo por meios mais rápidos e próprios para o isolamento. Estamos juntos ao lado de nossa família a menos de meio metro uns dos outros nos conectando com quem está a milhares de quilômetros de distancia. E tudo isso é normal. 

Para velhas lembranças e cobranças o tempo de Deus é chegado. Tanto que não estamos sabendo lidar com ele mesmo diante dos avisos: “amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”.


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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