2.000 testes para serem produzidos por dia

Doria anuncia rede para produzir, por dia, 2.000 testes

Amostras serão analisadas por 17 laboratórios ligados à USP a partir de quarta (25); hospitais municipais terão triagem

25/03/2020 por Artur Rodrigues

O governador João Doria disse que São Paulo terá capacidade de fazer 2.000 testes de coronavírus por dia. Os procedimentos serão feitos por 17 laboratórios ligados à USP a partir de amanhã. Ele anunciou ainda uma rede de triagem da doença, em cinco hospitais da capital.

são paulo O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (23) que o estado de São Paulo montou uma rede com capacidade de fazer 2.000 testes por dia para identificar infectados pelo novo coronavírus.

Segundo ele, os procedimentos serão feitos por 17 laboratórios ligados à USP a partir de quarta-feira (25).

“Testar, testar e testar. Essa é a orientação da Organização Mundial de Saúde”, disse.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou, por enquanto, que os testes serão usados apenas nos casos prioritários.

“Nesse momento, o próprio ministério já definiu a prioridade para testar. São os pacientes que estão internados, os que têm gravidade e os que precisam ter o diagnóstico em função da situação clínica. À medida que você vai ampliando sua capacidade de testes [a ação] pode ser ampliada para outras populações”, disse.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que, após a realização de quase 15 mil testes para coronavírus nos equipamentos municipais da capital, a Prefeitura de São Paulo adquiriu mais 100 mil unidades, que devem chegar na próxima semana.

Doria também afirmou que foi criada uma rede de triagem para Covid-19 em equipamentos municipais. Segundo o tucano, as redes funcionarão nos hospitais Emílio Ribas, Mandaqui, da Vila Penteado, Ipiranga e Geral de Guaianases.

Outra parte do anúncio é a abertura de 900 leitos no Hospital das Clínicas para tratar pacientes com coronavírus. Já há 200 vagas de UTI e os demais serão montados até dia 10 de abril.

O tucano afirmou ter entrado em um acordo com a Comgás para suspender até 31 de maio as ações de interrupção de fornecimento de gás de consumidores residenciais e pequenos comércios. Essa ação vale para imóveis que consomem até 500 m³/mês, conforme a média de consumo do primeiro bimestre deste ano, além de hospitais e unidades de saúde.

Também foi anunciada a suspensão imediata da pesagem de caminhões nas rodovias estaduais sob concessão e nas administradas pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem), com objetivo de tornar as viagens mais rápidas.

O tucano afirmou que, após reunião com 130 empresários de diversos setores, eles resolveram doar R$ 96 milhões em dinheiro, materiais e serviços que serão empregados no combate ao novo coronavírus.

Doria tem feito coletivas diárias, nas quais tem tentado se contrapor ao presidente Jair Bolsonaro, elogiando a imprensa e citando informações técnicas. Ele costuma começar as entrevista com um discurso, na linha motivacional. Depois, passa a fazer os anúncios, sempre ao lado de médicos e técnicos.

O prefeito Covas passou a participar das coletivas na semana passada.

Covas afirmou que vai desvincular fundos municipais, incluindo o bilionário Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano), voltado a obras na cidade e habitação, para usar no combate ao coronavírus. Além da diminuição do PIB municipal estimado em 1%, o remanejamento de verbas pode afetar a entrega de obras municipais.

O prefeito afirmou também que fará ação para renegociar todos os contratos com empresas terceirizadas para que haja uma continuidade nos pagamentos, mesmo se o serviço não estiver sendo prestado. O objetivo é que os funcionários não percam o emprego.

Na coletiva, Doria fez um discurso afirmando que a indústria não pode parar, sob risco de desabastecimento.

O governador ironizou o bate-boca com o presidente Jair Bolsonaro, que aumentou desde a última semana. No entanto, ele apoiou a medida federal que autoriza suspensão dos salários por quatro meses, já revogada, segundo anuncio do presidente feito nas redes sociais.

Ao ser questionado sobre crítica de Bolsonaro, que o chamou de “lunático”, Doria sorriu e agradeceu pela pergunta. “Eu aqui não repito, desafio ou crio os reis do ringue. Não é esse o procedimento que se espera de um presidente da República. Não é esse o procedimento de um mandatário que tem obrigação de liderar os brasileiros, orientando governadores e ministros de Estado”, disse Doria.


Fonte: pressreader.com - Folha de São Paulo

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