Após BC atuar, dólar recua a R$ 4,63

Em dia de pânico global, Ibovespa cai mais de 4% e recua a 97 mil pontos

Desde o pico histórico em janeiro, quando bateu em 119 mil pontos, índice de ações brasileiro já se desvalorizou 18%

06/03/2020 por João Sorima Neto

RIO e SÃO PAULO - Em um dia de tombo global nas Bolsas causado pelas incertezas trazidas pela disseminação do coronavírus pelo mundo, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, fechou em queda de 4,14%, perdeu o patamar dos 100 mil pontos, encerrando aos 97.996 pontos.

Desde seu recorde histórico no dia 23 de janeiro, quando chegou aos 119.527 pontos, o índice despencou 21.649 pontos. Do pico até agora, foi uma desvalorização de 18,01%. Na semana e no mês, a queda acumulada é de 5,92%, enquanto no ano a perda chega a 15,26%.

O Ibovespa seguiu o comportamento dos mercados externos, que tiveram mais um dia de estresse elevado diante das incertezas trazidas pela disseminação do coronavírus, que já atingiu 95 países. O mercado começa a questionar a capacidade das principais economias globais de reagirem para minimizar os prejuízos econômicos causados pela epidemia.

Por isso, praticamente todas as ações do Ibovespa, dos diferentes setores, fecharam o pregão em queda. Há um sentimento de aversão ao risco global, que faz os investidores buscarem proteção no dólar e no ouro. Suiram apenas os papeís

- A grande dificuldade neste momento é prever até onde vão as perdas. O fato é que o coronavírus atinge a todos os segmentos da economia e ninguém sabe estimar os impactos até agora. O preço das commodities despenca, e afeta papeis como Petrobras e Vale. Serviços e consumo desaceleram, o que traz impacto às ações das varejistas, que têm estoques de mercadorias - diz Maurício Pedrosa, diretor da Áfira Investimentos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial voltou a  encerrou uma sequência de doze altas consecutivas e fechou em queda de 0,36% cotado a R$ 4,634, após uma nova atuação do Banco Central, que vendeu 40 mil contratos de swap tradicional (oferta de moeda americana no mercado futuro), equivalente a US$ 2 bilhões.

Na quinta, o BC vendeu US$ 3 bilhões em contratos em três intervenções no mercado de câmbio, mas o dólar fechou em alta, cotado a R$ 4,65, novo patamar recorde. Na semana e no mês, o dólar comercial acumula alta de 3,43%. No ano, a valorização da divisa é de 15,58%.

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O último pregão com fechamento abaixo dos 100 mil pontos havia sido registrado em 8 de outubro do ano passado, quando o índice encerrou a 99.981 pontos. No dia 28 de fevereiro, o índice chegou a operar abaixo dos 100 mil pontos (99.950 pontos), durante a sessão, mas fechou aos 104.171 pontos.

Dados da B3 até o dia 4 de março, mostram uma saída de R$ 44,8 bilhões de recursos estrangeiros da Bolsa, a maior retirada da história. Em menos de três meses, já saíram mais recursos do que em todo o ano de 2019 - quando os estrangeiros retiraram R$ 44,5 bilhões. Esse movimento illustra o tamanho da aversão ao risco aos ativos brasileiros neste momento de pânico global.

Para Maurício Pedrosa, da Áfira Investimentos, as quedas acentuadas nos pregões mundiais são reflexo da incerteza em relação aos efeitos do coronavírus na economia real. A pergunta que se fazem os investidores nesse momento é se o impacto negativo durará até o segundo trimestre, e a economia global reagirá no terceiro e quarto trimestres.

Já existem previsões econômicas que sinalizam que a economia chinesa cresceria apenas 3%, este ano, o que seria catastrófico para o mundo, observa Pedrosa.

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No Brasil, ações com peso importante no índice tiveram desvalorizações expressivas. Os papéis preferenciais da Petrobras (PN, sem direito a voto) recuaram 9,53% a R$ 22,88, enquanto as ações ordinárias (ON, com direito a voto) perderam 9,92% a R$ 24,15.

O preço do petróleo do barril tipo Brent recuou 7,9% nesta sexta e o WTI teve queda de 8,30% porque não houve acordo entre os países produtores de petróleo para reduzir a produção. No mês, o Brent já se desvalorizou 30%. Por isso, as ações da Petrobras despencaram.

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As ações ordinárias da Vale perderam 4,80% a R$ 44,60, em mais um dia de baixa no preço de commodities, como o minério de ferro. Tanto Petrobras quanto Vale pressionam o Ibovespa.


Fonte: OGlobo.com

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