Capital do Frevo não precisa ser demonizada

Com o fim do mela-mela em Neópolis, Carnaval ganha novas visitas e continua forte.

Brincar e até molhar a quem está no frevo é natural. A quem assisti é expulsar da cidade. É excluir turista.

24/02/2020 por Por Raul Rodrigues

Lá se vão quinze anos; fui para Neópolis somente observar o mais famoso Carnaval de todo o baixo São Francisco acompanhado de uma amiga, e por lá chegando pensei entrar e sair da cidade sem ser importunado pelo mela-mela e molha-molha, pois não estava brincando Carnaval. Queria apenas ver de perto a multidão do Zé Pereira.

Abordado por algumas pessoas que estavam em suas portas – portas das suas casas – pedi para que me molhasse e melasse, mas que deixasse a minha amiga imune, já que a mesma estava com trajes simples, porém limpos e novos. Blusa, bermuda e sandálias apropriadas para um passeio, mas para serem destruídas.

Assim pensei ter sido atendido.

Tão logo me molharam e melaram, iniciaram a mesma agressão à minha companheira.

Não briguei nem reclamei. Peguei meu carro e fiz o caminho de volta para Penedo. Isto há quinze anos.

Hoje, sabendo de que o mela-mela foi proibido irei retornar a Neópolis para me distrair um pouco e ver o famoso Zé Pereira. Espero voltar intacto com minha esposa e filha.

Carnaval é uma festa dom povo. No entanto não necessariamente precisa ser da sujeira e da bagunça.

 

 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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