Nosso tíquete médio por cliente era de U$ 1.000

Tendência é de alta para o dólar

Moeda americana deverá ficar no atual patamar, impactando outros custos.

14/02/2020 por EDILSON VIEIRA

Moeda fechou a R$ 4,32 ontem, leve recuo após intervenção do Banco Central

Odólar alto veio para ficar. Esta é a percepção de boa parte do mercado depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que o câmbio a R$ 4,35, registrado na última quarta-feira (12), é resultado de juros baixos. O ministro afirmou ainda que o Brasil está entrando “num novo modelo”, que estimula a exportação de produtos, apesar de desagradar a turistas brasileiros no exterior. A moeda americana atingiu o pico de R$ 4,38 na manhã de ontem (13) e só cedeu depois da intervenção do Banco Central. O recuo fez com que a cotação chegasse a R$ 4,33 , patamar semelhante ao do início da semana.

Para Edgard Leonardo, economista e professor da Unit-PE, a oscilação do dólar é natural e não resulta, necessariamente, na desvalorização do real. Mas um câmbio alto também traz consequências ruins, diz o professor, como a elevação dos preços de insumos importados básicos.

Alimentos e combustíveis são diretamente impactados. “Como a economia brasileira depende muito do modal rodoviário, a possível elevação nos preços dos combustíveis pode acabar provocando uma pressão inflacionária”, diz Edgar Leonardo.

Um setor que se fortalece com o câmbio alto é o agronegócio, base da exportação brasileira, diz o professor. “Por outro lado, empresas que precisarão investir em tecnologia e equipamentos importados terão seus custos aumentados”, afirma o economista.

TURISMO

A diretora comercial da SW Turismo, Sylvia Wolfenson, afirma que desde o início deste ano o movimento de compras de passagens e pacotes turísticos caiu 10%, mas ela acredita que ainda é cedo para atribuir a redução a alta do dólar. “Normalmente, o viajante a negócios não deixa de viajar, já o turista de lazer leva um tempo até assimilar a alta do dólar e reprogramar seus gastos”, explica Sylvia.

Com as agências de viagens e casas de câmbio sentindo o peso, as empresas aéreas já começam a oferecer descontos em algumas taxas para não perder clientes. “O mercado vai se adequando de alguma forma”, diz Sylvia.

Paulo Victor, diretor da Europa Câmbio, diz que é comum o turista reduzir a compra de moeda estrangeira em momentos de dólar alto. “Nosso tíquete médio por cliente era de U$ 1.000. Agora, deve ficar em torno de U$ 800”.

No início da noite de ontem, a cotação do dólar turismo nas casas de câmbio era R$ 4,60.

INVESTIMENTOS

Para a advogada Gabriela Figueiras, gestora de negócios internacionais do escritório Queiroz Cavalcanti, é preciso aceitar os riscos e ver as oportunidades. Para ela, investidores que pretendem se proteger contra a flutuação cambial, e aliviar seus efeitos negativos, podem utilizar ferramentas financeiras, como o hedge cambial e o swap cambial. “Nas operações de swap, o banco faz o pagamento da oscilação do dólar mais um prêmio. O investidor se compromete a pagar ao banco a diferença da taxa de juros durante o período do contrato. Ao fim do contrato, as partes trocam os rendimentos, e, caso a taxa de câmbio aumente mais que os juros, os investidores ficam protegidos da flutuação”, explica Gabriela.

Ela enxerga mais alternativas. “Na operação de hedge cambial, se estabelece um compromisso de compra ou venda de dólar em data futura. Assim, o investidor negocia apenas o direito de assumir essa posição, não comprando de fato a moeda”, informa a advogada.

Gabriela diz ainda que há a opção de investimentos financeiros no exterior. “Dessa forma, a eventual alta do dólar também gera uma valorização dos ativos externos. Mas é importante que as empresas analisem os impactos fiscais desses movimentos”, pondera a advogada.


Fonte: Jornal do Comércio

Tags: tendência é de alta para o dólar