Um jeitão de "escritório informal"

Fiesp vira 'escritório informal' do governo Bolsonaro em SP

Desde o início da gestão, pelo menos 12 dos 20 ministros foram até o prédio da federação em reuniões, homenagens e encontros com empresários

14/02/2020 por Silvia Amorim

Pelo entra-e-sai de ministros, o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está assumindo um jeitão de "escritório informal" do governo Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira, dois dos mais importantes titulares da equipe de Bolsonaro — Paulo Guedes (Economia) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura) — por pouco não se esbarraram nos corredores da entidade.


Desde o início do atual governo, pelo menos 12 dos 20 ministros de Bolsonaro já estiveram na Fiesp para fazer reuniões, receber homenagens ou participar de encontros com empresários. Entre eles, Sergio Moro (Justiça), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos).

A lista é maior se considerados os titulares que passaram pela entidade na condição de acompanhante em visitas de Bolsonaro ou do vice Hamilton Mourão. Ambos já estiveram duas vezes cada um na sede da Fiesp na Avenida Paulista. Em 2018, último ano do governo Michel Temer — também aliado de Paulo Skaf, presidente da entidade —, a Fiesp recebeu para eventos sete ministros.

O ministro da Infraestrutura esteve ontem na capital paulista exclusivamente para participar de uma audiência organizada pela Fiesp com prefeitos, empresários e representantes sindicais. No auditório da entidade, ele falou sobre a nova concessão do governo para a Rodovia Presidente Dutra, depois, pegou um avião e voltou para Brasília. Todo o evento foi organizado pela Fiesp, da estrutura à mobilização, até o envio de convites a prefeituras.

Paulo Guedes passou o dia em compromissos na cidade e foi o convidado do dia de um almoço restrito com empresários. Os dois ministros tiveram a tiracolo o presidente da Fiesp, que vive um momento de aproximação política com o presidente Bolsonaro.

Aproximação política
A presença frequente de auxiliares do governo federal na sede da instituição é um termômetro da relação entre Bolsonaro e Skaf, que tornou-se um importante aliado em São Paulo, depois que o presidente rompeu politicamente com o governador João Doria (PSDB).

A relação entre eles tem interesses a curto e médio prazos. Skaf alimenta o projeto de ser candidato a governador de São Paulo em 2022 pelo Aliança, novo partido de Bolsonaro. O presidente vê em Skaf, hoje no MDB, um canal para se aproximar do empresariado paulista e estruturar seu partido no estado.

Skaf tem dito que é papel da Fiesp fazer a interlocução entre o governo e a sociedade. Ele repetiu o discurso ontem no evento com o ministro da Infraestrutura.

— Esta casa estará sempre aberta para construirmos o melhor para o país, essa casa pensa prioritariamente no Brasil, assim como o seu governo e o seu ministério — disse.

Na semana passada, o presidente Bolsonaro esteve na sede da Federação para um almoço. Ele havia estado no local em junho para receber a mais alta honraria concedida pela entidade — a Ordem do Mérito Industrial de São Paulo. A mesma homenagem foi dada aos ex-presidentes Lula, Dilma Rousseff e Temer.

Skaf não esconde o apoio da federação a Bolsonaro.

— Essa casa está apoiando o governo Jair Bolsonaro. Vamos estar juntos para derrubar todos os obstáculos. Estamos apoiando seu governo não por razão política e partidária, mas por enxergarmos com clareza que o rumo está certo — afirmou o dirigente durante o almoço com o presidente.

Desde o início de 2019, a Presidência da República não tem mais um escritório em São Paulo. Bolsonaro desativou um espaço que existia em um prédio na Avenida Paulista e abriu um novo gabinete presidencial no Rio de Janeiro.


Fonte: O Globo.com

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