Corpo de Adriano não será cremado, diz Flávio

Ex-PM morto

Senador se manifestou pela 1ª vez sobre morte do ex-PM e solicitou respostas

13/02/2020 por Redação

Flávio Bolsonaro diz querer apuração sobre morte de miliciano na Bahia.

Adriano era suspeito de chefiar escritório do crime, que teria participado da morte de Marielle Franco

Em sua primeira manifestação sobre a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega, no último domingo (10), na Bahia, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) classificou o ato como assassinato. Através do perfil do Twitter, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro ainda cobrou elucidações do caso e que o corpo não “fosse cremado para esconder as evidências de uma suposta execução na Bahia”.

“Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”, escreveu o parlamentar.

Conhecido como “capitão Adriano”, o ex-policial militar era um dos alvos da investigação sobre suposta “rachadinha” no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. Além disso, ele manteve no gabinete do parlamentar sua mulher e sua mãe, que chegaram a ter o sigilo quebrado no inquérito do caso Queiroz. Adriano também era suspeito de chefiar o “escritório do crime”, milícia suspeita de participar do assassinato de Marielle Franco no ano passado.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano Nóbrega teria reagido quando a Polícia anunciou seu mandado de prisão no domingo e acabou morto em troca de tiros com os agentes. O Ministério Público abriu investigação para apurar em que circunstâncias ele foi morto.

Segundo o laudo do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, divulgado ontem, Adriano morreu de anemia aguda e politraumatismo causado por “instrumento de ação perfuro-contundente”, equivalente a uma arma de fogo. Ainda de acordo com o documento, os tiros foram dados de frente. Um deles seguiu a trajetória de baixo para cima e o outro de cima para baixo. Um dos projéteis atravessou o corpo de Adriano. O outro ficou retido no corpo e foi encaminhado para um exame de balística.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o advogado Paulo Emilio Catta Preta, que defendia Adriano, afirmou ter recebido uma ligação de seu cliente na última quarta-feira (7). O ex-PM disse que tinha “certeza” de que queriam matá-lo para “queimar arquivo”. A viúva do miliciano também fez o mesmo relato.

Mônica Benício, viúva da exvereadora Marielle Franco e o PSOL cobraram explicações sobre a morte de Adriano. O partido vai pedir uma audiência com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia para cobrar esclarecimentos sobre a morte. Ontem, em audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro disse que cabe às autoridades da Bahia explicar as circunstâncias da morte de Adriano.

O capitão Adriano estava foragido desde a Operação Os Intocáveis, deflagrada em janeiro de 2019, contra uma milícia que atua em Rio das Pedras, comunidade pobre da Barra da Tijuca. De acordo com a Promotoria do Rio, o grupo atuava na grilagem de terras, na compra, venda e aluguel irregular de imóveis, na cobrança de taxas da população local e na receptação de mercadoria roubada, entre outros crimes.


Fonte: Jornal do Comércio

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