A epidemia já matou 106 e infectou mais de 2.700

Coronavírus leva temor ao mercado e derruba Bolsas

Para agência, PIB chinês pode recuar até 1,2 ponto percentual com epidemia

28/01/2020 por Júlia Moura

O temor de que a China perca o controle sobre a propagação do coronavírus levou ontem Bolsas de Valores pelo mundo a operar em queda. O Ibovespa caiu 3,3%, maior recuo percentual desde junho de 2019. Londres, Paris e Frankfurt tiveram perda de 2,5%; nos Estados Unidos, os índices Dow Jones e S&P 500 cederam 1,6%.

Para a agência de classificação de risco S&P, o crescimento do PIB chinês pode cair em até 1,2 ponto percentual neste ano caso os gastos com consumo caiam 10%. Outros agentes do mercado financeiro estimam um impacto de 0,5 a 1 ponto sobre a segunda maior potência econômica, o que traria efeitos em escala mundial.

A epidemia já matou 106 e infectou mais de 2.700 em quatro continentes. A OMS reclassificou de moderado para elevado o alerta de ameaça global. O prefeito de Wuhan, epicentro do surto e importante centro industrial, admitiu que escondeu informações sobre a doença antes de serem tomadas medidas de confinamento.

Restrições à circulação já afetam o turismo na China e em países vizinhos.

são paulo Após um salto no número de mortos e infectados de domingo (26) para esta segunda-feira (27), analistas passaram a avaliar um impacto no crescimento chinês causado pelo coronavírus que pode ser superior a um ponto percentual.

Como a China é a segunda maior economia do mundo, um crescimento menor poderá ter impactos globais, especialmente na Ásia, onde o turismo nos últimos anos é dependente, em grande parte, dos viajantes chineses.

O FMI previa, no dia 20, que a China cresceria 6% no ano. Em 2019, o país cresceu 6,1%, seu pior índice em 29 anos.

Para a agência de classificação de risco S&P, o crescimento do PIB chinês pode cair cerca de 1,2 ponto percentual em 2020 caso os gastos de consumo, especialmente em transporte e diversão, caiam 10%.

Ou seja, considerando a FMI, o PIB chinês poderia avançar só 4,8% em 2020.

Analistas têm a avaliação de que o dano econômico pode se assemelhar ao causado durante a epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda grave), que deixou centenas de mor tosem 2003. Naquele ano, o país desacelerou de 11,1% a 9,1% entre o primeiro e o segundo trimestre. No ano, cresceu 10%.

Especialistas dizem ser cedo para medir o efeito que o deixar na economia, mas algum impacto é certo.

Segundo a Rico, se o vírus estender seus efeitos, os indicadores econômicos do primeiro trimestre podem ser duramente impactados. “E, com os juros tão baixos mundo afora, os bancos centrais podem ter menos ferramentas para estimular as economias”, afirma.

A Sars veio após uma grande crise, quando as economias iniciavam expansão. “Hoje, o mundo está exatamente na direção oposta, com as grandes economias lutando para impedir que uma desaceleração mais forte na atividade possa se tornar uma recessão”, diz relatório da Rico.

Para Tommy Wu, da Oxford Economics, o impacto econômico pode ser forte, mas terá curta duração —e será menos severo do que antes— porque desta veza respostadas autoridades foi mais rápida doque antes. Isso apesar de autoridades terem escondido dados sobre o avanço do vírus.

Já para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, o coronavírus deve reduzir o avanço chinês em no máximo 0,5 ponto percentual, porque a economia do país está maior do que era em 2003.

“Contudo, qualquer mudança no crescimento chinês, por menor que seja, impacta muito a economia mundial”, diz.

Para restringira propagação do vírus, o governo suspendeu viagens dentro China e para o exterior, afetando o turismo, peso-pesado da economia com 11% do PIB em 2018, segundo cifras oficiais.

Essa suspensão vai afetar ainda países vizinhos, como Camboja, Tailândia, Japão e Singapura, além de Hong Kong, cujos gastos de chineses são importante parte do PIB.


Fonte: Folha de S.Paulo

Tags: coronavírus leva temor ao mercado e derruba bolsas