Obstrução em investigações

Premiê de Malta diz que vai deixar cargo em janeiro

Joseph Muscat, que governa nação insular desde 2013, é acusado de interferir nas investigações que apuram envolvimento de seu ex-chefe de gabinete em atentado a bomba que matou jornalista investigativa.

02/12/2019 por JPS/afp/lusa/ots

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat anunciou neste domingo (01/12) que se vai deixar o cargo em  janeiro. O anúncio ocorre em meio à pressão da população da nação insular do Mediterrâneo para que o atentado à bomba que matou a jornalista Daphne Caruana Galizia em 2017 seja esclarecido. Muscat vem sendo acusado de interferir nas investigações.

Numa mensagem transmitida esta noite pela televisão nacional, Muscat, disse ter informado ao presidente do país que vai deixar primeiro a liderança do Partido Trabalhista em 12 de janeiro, e que "nos dias seguintes" irá demitir-se do cargo de primeiro-ministro.

Na última segunda-feira, o primeiro-ministro chegou a vencer um voto de confiança dos deputados do Partido Trabalhista, apesar das crescentes alegações sobre o envolvimento do seu antigo chefe de gabinete no atentado. O grupo parlamentar expressou o seu "apoio unânime" a Muscat, no poder desde 2013, e "às decisões que optar por tomar".

No sistema parlamentar maltês, o chefe do partido que vencer as eleições legislativas torna-se de imediato primeiro-ministro.

Nos últimos dias, Muscat vinha sendo  pressionado a renunciar. A família da jornalista Daphne Caruana Galizia, a oposição e movimentos civis o acusaram de interferir na investigação para proteger seu chefe de gabinete, Keith Schembri.

Na madrugada de sexta-feira, Muscat anunciou, após um conselho de ministros muito agitado segundo testemunhas, que negaria a imunidade a Yorgen Fenech, um empresário suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da jornalista, em troca de que este colaborasse com a investigação. Fenech foi detidoem 20 de novembro quando tentava fugir do arquipélago a bordo de seu iate.

No sábado à noite, Fenech, de 38 anos, foi acusado oficialmente por cumplicidade no assassinato da jornalista, que morreu na explosão de uma bomba colocada em seu carro por três executores detidos pouco depois dos acontecimentos.  O empresário, coproprietário do grupo familiar Tumas (que envolve negócios de hotelaria energia) apontou esta semana Schembri como o "verdadeiro autor intelectual" do assassinato da repórter.

O chefe de gabinete de Muscat deixou o cargo nesta semana, assim como o ministro do Turismo, Konrad Mizzi, e o da Economia, Chris Cardona. Schembri chegou a ser detido para prestar depoimento, mas na quinta-feira foi libertado, o que causou indignação entre os familiares de Daphne Caruana Galizia.

Na sexta-feira, milhares de manifestantes pediram a renúncia do primeiro-ministro. Muscat, de 45 anos, está no poder desde 2013 e foi reeleito em junho de 2017.

Caruana Galizia, de 53 anos, era conhecida por expor casos de corrupção da elite política e empresarial do país. Ela foi morta em 16 de outubro de 2017 depois de um explosivo ter sido colocado em seu automóvel em Bidnija, onde vivia.

À época, a jornalista investigava vários políticos malteses, incluindo o primeiro-ministro do país e sua esposa, no âmbito do escândalo Panamá Papers, que mostraram como centenas de políticos, empresários e celebridades utilizaram paraísos fiscais para evasão fiscal, lavagem de dinheiro e transações ilegais.

 


Fonte: DeutschWelle

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