Não temo a morte, pois vivo o que é bom.

Quem somos nós, o que somos e o que separa a vida da morte.

Já que todos nós um dia haveremos de morrer, pelo menos que vivamos o que nos faz bem. A mim me faz bem fazer o bem.

27/11/2019 por Por Raul Rodrigues

Durante séculos ou talvez milênios as pessoas ao se depararem com um grande problema se perguntavam do por quê? Na última década, pensadores disseminaram a filosofia do para quê? E não do por quê. 

Um problema que enigmaticamente nos coloca diante da possibilidade da morte, ou da morte iminente, tem provocado nas pessoas sábias a reflexão. E para tanto devem os sábios refletir sobre quem somos o que somos e o que nos separa da vida para a morte.

Esta tem sido a minha reflexão nesses últimos dias. Sozinho em um apartamento bem ventilado e situado em Maceió escrevo estas linhas para responder a mim mesmo, pois devemos primeiro escrevermos para nós mesmos, e aí sim, depois mensurarmos se devemos tornar nossos escritos públicos ou não. Por tão introspectivo esse texto.

Sou tão somente um filho de um casal bem sucedido, pai militar e mãe cabeleireira, de posses limitadas, entretanto comedidos dentro do que ganhavam em sendo da classe média. Nunca me arvorei de pertencer à elite que em Penedo assombrava aos mais medianos. A elite sempre teve seus podres e poderes entre as artimanhas da própria sociedade dominante. A classe média também, mas em bem menor proporção. O pobre tem vergonha, o “rico” não.

Estudei em escola pública, Grupo Escolar Gabino Besouro, todavia dotado de grandes professoras, profissão à época mais apropriada para as moças ou mulheres como por sapiência de quem entendia buscar o espirito maternal para ensinar. Depois Colégio Diocesano, ensino ginasial e por fim o científico, no Colégio Jackson de Figueiredo, em Aracaju por intermédio de bolsa de estudo. O renomado Colégio era particular e caríssimo.

Em sequência fui aprovado no vestibular de 1977 na Universidade Federal de Alagoas – UFAL – no curso de licenciatura em Física, período 78/1, onde cursei paralelamente já ensinando a matéria entre várias escolas de Maceió – Colégio Crispiano Portal de Cruz das Almas – bairro periférico da região norte da capital, daí sendo levado para a o Colégio Dr. Anfrísio Freire Ribeiro, em Penedo, Colégio Estadual Comendador José da Silva Peixoto, Colégio Imaculada Conceição, Colégio Diocesano, e Escola Leonor Gonçalves Peixoto. Incluindo a Faculdade de Formação de Professores do Baixo São Francisco de Penedo – FFPP – na década de 80.

Depois, de volta a Maceió, Colégio Santíssimo Sacramento e Marista, em 90/2000 as duas maiores escolas de ensino médio da capital, e o Intensivo, e no cursinho Impacto, época do professor Deon.

Esse é o profissional professor Raul, com mais de cinquenta mil alunos por entre as salas de aulas.

O cidadão Raul Rodrigues de Lima Gomes, filho do Major Horácio Augusto Gomes e Dona Elizete de Lima Gomes, nasceu, cresceu e viveu quase a totalidade da sua existência em Penedo. Fui adolescente rebelde – normal – casando-se muito novo com Márcia Feitosa Nunes, de quem me separei após vinte anos de convivência. Do encontro com Márcia nasceram minhas duas primeiras filhas, Mayara e Mayra, e do casamento com Silvana Santos Góes, a terceira filha Rafaela.

Apaixonado por Penedo sempre me identifiquei com as lutas contra menospreza a cidade ou o município. Somos um misto de todas as épocas da historia, da arquitetura europeia, e do modernismo do Hotel São Francisco, desde a energia elétrica à telefonia do número faz favor. Fomos polo das diversas produções da região por privilegiada situação geográfica nos tempos das hidrovias. Referência em educação e saúde.

Irrequieto, tenaz e forte o suficiente para enfrentar quaisquer que fossem as dificuldades sem me curvar aos erros, pois todos os que cometi assumi. Não fujo das minhas responsabilidades. Dotado da facilidade em apaixonar-me, vivi vários amores. Muito embora reserve ao meu interior a maior de todas as paixões. Amar faz bem ao homem. Endurecer o coração qual postura de machão somente fere a quem se ama.

Admirador do que é bom, sempre consegui o que desejei ao tempo certo. O que é hobby se os tive foi como hobby. Dentro das minhas posses, vivi o que apreciei sem prejudicar à minha família em nome do egoísmo.

Esse é o Raul ser humano, que se vivi próximo ao poder muito mais distribui aos outros o que solicitei a quem mais podia, que para mim mesmo. Os exemplos estão aí vivos, Moacir Andrade governador, Március Beltrão, Alexandre Toledo e Israel Saldanha, prefeitos com os quais mantive contratos por meio do jornal Correio do Povo de Alagoas, aos quais evoco testemunhas se fui um aproveitador das oportunidades a mim concedidas, ou se por mérito de competências e habilidades me foi permitido convívio, sempre respeitando essa ordem de intimidade. O poder é para ser distribuído, nunca para o uso do próprio umbigo. 

No programa de rádio, oportunidade dada pelo Carlos da Educação, ampliei enormente o número de pessoas que realmente conhecem o professor Raul. também foram criadas arestas entre quem pensa diferente e por suas próprias ações. Faz parte. Aos ouvintes e às ouvintes do Penedo Real, os meus mais sinceros agradecimentos por Deus nos ter permitido esse encontro.

Como me definiria? Como alguém capaz, chato, e de opiniões fortes, exigente no que faz, e muito mais exigente naquilo que tem por obrigação fazer. Reativo por natureza; não fui doutrinado para ser passivo. Pacifico sim, até que a provocação me chegue. Aos sessenta e um anos quase que completos, dia 04 de janeiro completarei, me sinto realizado dentro das oportunidades ofertadas por Deus, a quem devoto toda a minha fé, ciente de que já estou no lucro da idade atingida, mas nunca me permitindo dar por satisfeito. Lógico que todos nós queremos mais. Mas por personalidade definida até quando for útil sem para tanto dá mais trabalho do que possa produzir. 

Dos amores? Aos meus pais, às minhas filhas, meus netos, Raulzinho, Manuel Afonso e João Guilherme, e em especial às duas mulheres que me tornaram pai. Com louvor à Silvana que soube aproveitar o melhor de mim.

Esse é o Raul por dentro e por fora. E o que separa a vida da morte? O tempo.


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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