Nobel de Economia

Estudo de combate à pobreza leva Nobel

Abhijit Banerjee, indiano, Esther Duflo, francesa, e o americano Michael Kremer são os ganhadores; Ester é a 2ª mulher a receber o prêmio

15/10/2019 por Jeff Stein THE WASHINGTON POST TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO /

O Prêmio Nobel de Economia foi dado a três pesquisadores por sua “abordagem experimental” para acabar com a pobreza no mundo. Os vencedores são o casal Abhijit Banerjee e Esther Duflo (ambos do MIT) e Michael Kremer (Harvard). O trio decompôs grandes questões sobre pobreza em assuntos de pesquisa menores, tais como intervenções para melhorar a saúde infantil e uso de experimentos de campo para resolvê-los.

Três economistas foram agraciados com o Prêmio Nobel de Economia por sua “abordagem experimental” para acabar com a pobreza no mundo.

Os vencedores são Abhijit Banerjee, economista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a economista francesa Esther Duflo, também do MIT – os dois são casados – e Michael Kremer, da Universidade Harvard. Esther Duflo, de 46 anos, é a segunda mulher a ganhar o prêmio de Economia e a pessoa mais jovem a ser contemplada com o Nobel.

Falando à imprensa uma hora depois de receber a notícia, ela afirmou: “Foi incrivelmente gratificante, para dizer a verdade...Nós três representamos centenas de pesquisadores que trabalham nesse tema da pobreza global” (ler mais na pág. B7).

O comitê do Nobel recompensou os pesquisadores por decomporem grandes questões sobre pobreza em assuntos de pesquisa menores, tais como intervenções mais eficientes para melhorar a saúde infantil e uso de experimentos de campo para resolvê-los.

Nos anos 90, Kremer lançou vários experimentos de campo no Quênia com o objetivo de melhorar os resultados educacionais. Banerjee e Esther mais tarde realizaram estudos similares, criando métodos de pesquisa “que hoje dominam inteiramente” a economia do desenvolvimento, segundo o comitê do Nobel.

Esses esforços contribuíram para a criação de programas de reforço escolar que beneficiaram mais de cinco milhões de crianças indianas, por exemplo, como também subsídios para cuidados preventivos de saúde em vários países.

“Em apenas duas décadas, sua nova abordagem baseada em experimentos transformou a economia do desenvolvimento, que se tornou hoje um campo florescente de pesquisa”, disse o comitê.

Método. Posteriormente, em comunicado à imprensa, o comitê observou que “com o seu trabalho, os experimentos de campo transformaram o método padrão dos economistas dedicados ao desenvolvimento quando investigam os efeitos de medidas para reduzir a pobreza”.

Os três laureados são os primeiros a tentar medir os efeitos na realidade de medidas visando a atenuar a pobreza numa ampla gama de segmentos, como acesso a créditos, cuidados preventivos da saúde e adoção de novas tecnologias.

Os pesquisadores também determinaram que mesmo pequenas diferenças em preços levam a resultados para saúde extremamente diferentes, particularmente na prevenção de doenças. Kremer, por exemplo, concluiu que no caso de 75% de crianças pobres, os pais as trataram com vermífugos quando o remédio era gratuito, em comparação com 18%, quando o medicamento custava menos de um dólar, de acordo com a Academia Real de Ciências da Suécia.

Face a essas descobertas, informou o comitê, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que os vermífugos fossem distribuídos gratuitamente para mais de 800 milhões de alunos em escolas em áreas onde mais de 20% das crianças têm algum tipo de infecção provocada por vermes.

Esforços similares dos pesquisadores sugerem que oferecer incentivos e dar mais responsabilidade aos professores reduzem o absenteísmo e que “alunos que têm professores que trabalham sob contratos de curto prazo tiveram resultados muito melhores em exames”, de acordo com o comitê.

Os pesquisadores também realizaram um estudo “inicial” de programas de microcrédito, ou oferta de pequenos empréstimos, para famílias pobres na cidade indiana de Hyderabad. O comitê citou ainda o trabalho dos economistas para mostrar que algumas pessoas pobres estão mais propensas a aceitar mais os subsídios temporários – para melhoras na agricultura, como uso de fertilizantes artificiais – do que se forem oferecidos permanentemente.

Indagada por um jornalista o que faria com o prêmio em dinheiro oferecido, Esther Duflo disse que, quando criança, leu como Marie Curie, a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, usou o dinheiro para comprar uma grama de rádio.

“Acho que nós três teremos uma conversa para ver qual será nossa grama de rádio”, disse.

“(Ganhar o Nobel) Foi incrivelmente gratificante, para dizer a verdade... Nós três representamos centenas de pesquisadores que trabalham nesse tema da pobreza global.” Esther Duflo

ECONOMISTA FRANCESA


Fonte: pressreader - O Estado de S. Paulo

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