Queda da inflação

Inflação cai a zero e corte de juro será ainda maior

Índice oficial do regime de metas, o IPCA de setembro ficou em território ligeiramente negativo — deflação de 0,04%. Foi o menor resultado para o mês em duas décadas.

10/10/2019 por Redação

A queda surpreendente da inflação em setembro fez o mercado apostar que haja espaço para reduzir ainda mais a taxa básica de juros (Selic), que está em 5,5% ao ano. O corte da Selic para 5%, na reunião do Copom no fim deste mês, consta na comunicação do Banco Central (BC), mas, nos contratos com prazo de um ano negociados na bolsa, o juro já estava ontem em 4,63% ao ano.

Índice oficial do regime de metas, o IPCA de setembro ficou em território ligeiramente negativo — deflação de 0,04%. Foi o menor resultado para o mês em duas décadas. Alimentos mais baratos e a dissipação dos efeitos da bandeira vermelha, que indicava a princípio elevação do preço da energia, empurraram o índice para baixo, mas essas não foram as únicas razões.

Um dois principais termômetros da atividade, os preços dos serviços desaceleraram em setembro, sinal de que a economia segue desaquecida. As medidas de núcleo da inflação, que procuram captar a tendência dos preços ao desconsiderar choques temporários, ficaram comportadas no mês passado, outra indicação de atividade fraca. Esses dois indicadores são negativos do ponto de vista da recuperação da economia.

Todas as oito medidas de núcleo de inflação acompanhadas de perto pelo BC vieram abaixo do piso da meta, ajustada sazonalmente para o período, segundo cálculos da equipe de economistas do Banco Safra, chefiada por Carlos Kawall. Quando o Copom diz que os núcleos estão em níveis “apropriados”, significa que estão em torno da meta de inflação (fixada em 4,25% para 2019). Quando afirma que estão “confortáveis” — caso atual — é porque se situam entre a meta e seu piso (2,75%). Abaixo do piso, estão em níveis “baixos”.

“Não há impeditivos para a Selic renovar suas mínimas históricas e registrar, pelo menos, mais duas baixas de 0,5 ponto percentual, talvez mais”, disse o economista Sérgio Werlang — que, quando diretor do BC, foi um dos responsáveis pela adoção do regime de metas. Para ele, a depreciação cambial não é obstáculo à queda dos juros no momento atual.

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Fonte: pressreader - Valor Econômico

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