Novo partido para Bolsonaro

Conservadores deve rezar pela 'cartilha de Bolsonaro', combater 'ideologia de gênero' e evitar esquerda

Filiados de partido em gestação estarão proibidos de fazer alianças com outras legendas consideradas da 'esquerda bolivariana'

09/10/2019 por Naira Trindade

RIO — A iminente saída de Jair Bolsonaro do PSL coincide com a criação de uma nova legenda que abrigaria políticos alinhados com princípios ideológicos defendidos pelo presidente. Aliados do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) estão, inclusive, finalizando o estatuto desse novo partido , que seria batizado de Conservadores .

O GLOBO teve acesso à minuta da nova sigla, cuja as premissas a serem adotadas vão da “moralidade cristã, a vida a partir da concepção, a liberdade e a propriedade privada”. O texto defende ainda o direito à legítima defesa individual, combate à sexualização precoce de crianças e à apologia da ideologia de gênero e defesa do legado da “moralidade cristã e da civilização ocidental”. Filiados estarão proibidos de fazer alianças com partidos da “esquerda bolivariana”.

Minuta da nova sigla
Apesar dessa alternativa ser vista como menos provável, uma vez que levaria um tempo maior até ser viabilizada, os aliados já estariam já cogitando a coleta de assinaturas para fazer o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bivar : Presidente do PSL avisa a aliados que vai demitir advogada de Bolsonaro

Outra possibilidade é Bolsonaro migrar para outra legenda. Algumas delas já começam a se movimentar na tentativa de atrair o presidente. A ideia seria desembarcar num partido menor para promover uma reforma interna. Siglas como o Patriota e a UDN — esta em vias de ser criada — são as opções mais prováveis no momento.

Bolsonaro reacendeu o debate sobre uma eventual mudança de partido nesta terça-feira ao ser flagrado criticando o PSL. Ele recomendou a um apoiador "esquecer o PSL" e disse que o presidente da sigla, Luciano Bivar , está “queimado”.

A crise entre Bolsonaro e Bivar ganhou contornos nesta quarta-feira com a declaração do presidente do PSL  de que Bolsonaro já está afastado. "A fala dele foi terminal, ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido", disse ele ao  blog da repórter Andréia Sadi, do G1  .

Já o presidente afirmou em entrevista ao site "O Antagonista", que não pretende sair do PSL "de livre e espontânea vontade" . A possibilidade de Bolsonaro deixar a legenda é cogitada há meses, mas aumentou na terça-feira.

Na entrevista, Bolsonaro alegou que Bivar tem o "direito" de expulsá-lo do PSL, mas ressaltou que uma eventual expulsão faria o PSL "murchar":

— Comigo fora da legenda, a tendência do PSL é murchar. Se eu sair, é natural que muita gente saia também.

Bivar decide romper com advogada de Bolsonaro
Em meio à crise, Bivar também decidiu romper o contrato com a advogada eleitoral Karina Kufa. A aliados, Bivar justificou ter havido “quebra de confiança” e sustentou que a demissão é inevitável. Na noite de terça-feira,  a legenda convocou uma reunião emergencial na Câmara  com deputados e senadores para avaliar os desgastes após a declaração de Bolsonaro.

Karina nega a versão de ter sido demitida por Bivar. Segundo a advogada, ela comunicou ao PSL que não queria mais manter seu contrato com a sigla antes de qualquer decisão de Bivar. Karina justificou que o pedido de saída se deu devido ao conflito de interesses entre os dois clientes, o PSL e Jair Bolsonaro.


Fonte: OGlobo.com

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