Símbolo de uma era que não volta mais.

Se saudades mata gente, essa vai matar muita gente de saudades.

A tripulação ao receber o seu proprietário, Seu Zeca Peixoto, parecia saber que o tempo não nos permitiria tê-los ad eternum

01/10/2019 por Por Raul Rodrigues

Era um dos points da cidade o cais onde ancorava a Lancha dos Operários. Um símbolo de Peixoto&Gonçalves a transportar os funcionários da fábrica de tecidos da Vila Operária que moravam em Penedo, e que normalmente atuavam em cargos de destaque da empresa.

Com seus dois potentes motores a óleo diesel, a Lancha símbolo de uma era da indústria têxtil da região do baixo São Francisco parecia flutuar por sobre as águas do então amedrontador rio São Francisco demonstrando em seu passeio singrando as ondas provocadas pelo vento as águas esverdeadas, tamanha a profundidade entre os portos de Penedo e da própria Vila Operária, onde tinha cais ou ancoradouro único da possante embarcação.

O seu azul e branco destacava-a por entre todas as embarcações que navegavam e com marcas de um quase iate, chamava a atenção pelo silencioso deslocar-se e qual rápida era dentre todas as demais que navegavam nos dias de trabalho ou quando de passeios da família Peixoto&Gonçalves e convidados, por entre os seus bancos alcochoados em tom marrom, com portamão em alumínio grosso, davam um destaque especial do seu interior. 

Sempre conduzida pelo Comandante vestido e perfilado em sua farda e boné aliado aos que também faziam parte da tripulação, era um símbolo do poderio dos seus proprietários. Embelezava o rio, e pelo seu formato quase de agulha em sua proa para rasgar águas e ondas, doces ou salgadas, deixando para trás as demais embarcações a embalarem sob o comando das suas hélices potentes que empurravam a mais bela lancha que fez parte da vida e da história do rio São Francisco em nossa região.

Com as perdas do navio Comendador Peixoto e da Lancha dos Operários, até o rio se recolheu ao diminuir as águas profundas para que aqui não navegassem mais embarcações de tantas belezas e potências. 

Quem viveu sente saudades. Quem nunca viveu jamais sentirá nos olhos a presença de tão belas e importantes embarcações no baixo São Francisco. O que perdemos? Tudo! O que ficou? A saudade.

 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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