Perda de credibilidade

Governo Renan Filho tira transporte de professores que atuam na rede estadual

Procuradoria-Geral da União identificou irregularidades no pagamento do serviço, efetuado pela Secretaria de Estado da Educação com recursos federais

20/09/2019 por Marcelo Amorim

Após a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) identificarem a existência de uma esquema milionário no contrato de transporte escolar da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), o governo Renan Filho (MDB) cortou o transporte de professores que atuam em escolas do interior, após a Procuradoria-Geral da União (PGU) ter constatado irregularidades no pagamento do serviço, que vinha sendo efetuado com recursos do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE). Este é mais um prejuízo que a Educação de Alagoas enfrenta diante do descaso do governo estadual após a descoberta da roubalheira na pasta.

Diante da situação, há casos de professores que já estão há mais de uma semana sem condições de ir às escolas, segundo confirmou nesta semana o Sindicato dos Trabalhadores na Educação de Alagoas (Sinteal). Em busca de solução para a questão, que conforme a direção do Sinteal regional Arapiraca tem afetado os trabalhadores e consequentemente os alunos da rede, uma comissão de professores esteve nesta semana na sede da 5ª Gerência Regional de Educação (5ª Gere), em Arapiraca, ocasião em que protocolaram ofício e abaixo-assinado.

Entre as localidades afetadas na região com o corte no transporte estão Limoeiro de Anadia, Feira Grande e Girau do Ponciano. De acordo com o sindicato, entretanto, o problema atinge todos os municípios do Estado. Na 5ª Gere, como tem sido de praxe, eles informaram que a solicitação dos professores seria encaminhada para a sede da Seduc, em Maceió, pasta administrada pelo secretário e vice-governador Luciano Barbosa (MDB). Na gerência, desde que as irregularidades identificadas pela PF e MPF na Educação estadual vieram à tona, o procedimento na gerência é de que toda questão envolvendo transporte escolar é decidida diretamente na secretaria.

"Apresentamos documento solicitando solução, mas a situação acontece em todo o Estado. O governo não enxerga o problema. A posição da Seduc tem sido fria. Esperamos que a questão seja revista. Estão colocando os professores contra a parede, mas esse problema foi provocado pela secretaria e não pelos trabalhadores", pontuou o presidente do Sinteal regional Arapiraca, Paulo Henrique Santos Costa. Ele ressaltou que os professores foram pegos de surpresa com a decisão do governo, após constatação da CGU e com isso sequer têm como resolver o problema por conta própria a curto prazo.

No caso de Girau do Ponciano, por exemplo, os professores solicitam a reativação da rota Arapiraca/Canafístula do Cipriano, distrito da zona rural daquele município. "Esta solicitação justifica pelo fato desta Escola Estadual de Educação Básica José Enoque de Barros ofertar, nos turnos matutino, vespertino e noturno, atividades com aulas regulares durante toda a semana (segunda a sábado). Vale ressaltar que a escola encontra-se em uma localidade de zona rural, onde não existe transporte público para a localidade, sendo que dificulta a ida dos professores para suas atividades letivas na devida escola", justificou o grupo de 15 professores que assinam documento protocolado na 5ª Gere.

"Os servidores precisam desse transporte. Há escolas de difícil acesso. Os professores estão impossibilitados de chegarem até as escolas. O governo encontre outra forma para que o transporte volte o mais rápido", acrescentou o presidente do Sinteal Arapiraca.


Fonte: Gazetaweb.com

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