Crise no Oriente Médio

Preço do petróleo atinge pico com tensão no Golfo

Ao meio-dia, barril chegou a ter maior alta desde guerra de 1991; Petrobrás manterá preço dos combustíveis

17/09/2019 por NOVA YORK RODRIGO TURRER /

Os ataques do fim de semana a instalações da Arábia Saudita – que interromperam a produção diária de 5,7 milhões de barris de petróleo, 5% do consumo mundial – fizeram com que os preços do produto disparassem. A elevação chegou a quase 20% ao meio-dia, a maior desde a Guerra do Golfo, em 1991. No fechamento, as altas foram de 14,67% em Nova York e de 14,61% em Londres. Apesar desse cenário, a Petrobrás anunciou que não vai alterar os preços dos combustíveis no País, pelo menos em curto prazo. A Arábia Saudita afirmou ontem que armas iranianas foram usadas nos ataques. Rebeldes houthis, que lutam no Iêmen, reivindicaram a autoria do bombardeio. Aliado dos sauditas, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que são necessárias mais provas de participação do Irã no episódio. O presidente iraniano, Hassan Rohani, negou envolvimento de seu país nos atentados.

A Arábia Saudita afirmou ontem que armas iranianas foram usadas nos ataques do fim de semana que interromperam metade da produção de petróleo do país. Rebeldes houthis, que lutam no Iêmen com apoio iraniano e contra uma coalizão liderada pelos sauditas, reivindicaram a autoria do bombardeio. Os sauditas acreditam que os insurgentes iemenitas não poderiam ter feito uma operação tão complexa.

Aliado dos sauditas na guerra contra os rebeldes, o presidente americano, Donald Trump, afirmou ontem que “parece” que o Irã é responsável pelo ataque, mas o governo americano precisa obter mais provas. “Queremos determinar com certeza quem fez isso”, afirmou Trump, assegurando apoio à Arábia Saudita. No entanto, o presidente moderou o tom adotado na véspera e disse que gostaria de evitar um conflito. “Não quero guerra com ninguém.”

Washington já havia culpado Teerã pela ação. No sábado, o secretário de Estado, Mike Pompeo, alegou que não havia provas de que os drones utilizados na ação tenham partido do Iêmen para promover o que chamou de “ataque sem precedentes contra o abastecimento energético mundial”.

Para reforçar a tese de Pompeo, uma fonte do Departamento de Estado, que não quis se identificar, forneceu à rede de TV CNN imagens de um satélite privado que mostram as instalações sendo atacadas pelo norte, sugerindo que a ação partira do Iraque ou do Irã, entre outros detalhes. O Iraque, preocupado com especulações, negou ainda no domingo que os drones tenham saído de seu território. O presidente iraniano, Hassan Rohani, também negou qualquer envolvimento de seu país com os ataques e disse que os rebeldes que reivindicaram sua autoria estavam apenas se defendendo dos bombardeios sauditas.

“O Iêmen é alvo de bombardeios diários. O povo do Iêmen tem sido obrigado a responder. Ele só se defende”, declarou Rohani em Ancara, após uma reunião de cúpula com os presidentes russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan.

Após a reunião, Putin sugeriu que os sauditas poderiam fazer como os iranianos e comprar o sistema de defesa antiaérea russo. “Estamos prontos para ajudar”, disse Putin.

Provas. Ao comentar as imagens divulgadas pela CNN, analistas militares disseram que elas podem ajudar a apoiar o argumento de Washington, mas ponderaram que não são definitivas. “Essas imagens não mostram outra coisa a não ser a precisão do ataque contra os tanques de petróleo. Mas não há nada nelas que confirme que o lançamento tenha partido de uma localização em particular”, disse o general Mark Hertling.

O ataque de sábado à refinaria de Abqaiq, na Arábia Saudita, e ao seu campo de petróleo de Khurais levou à interrupção da produção de 5,7 milhões de barris diários de petróleo, equivalente a quase 6% do suprimento diário global. O campo responde por metade da produção saudita, que por sua vez é responsável por 10% da produção mundial. O mundo consome quase 100 milhões de barris por dia.

As primeiras alegações sauditas foram feitas ontem pelo porta-voz da coalizão que combate os rebeldes do Iêmen, Turki alMalik. Em sua primeira reação oficial ao ataque, o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, voltou a culpar o Irã. “As ameaças iranianas não estão direcionadas somente ao reino. Seus efeitos alcançam o Oriente Médio e o mundo”, declarou o príncipe.

Petrobrás deve segurar preços do petróleo Economia / Página B7


Fonte: pressreader.com - O Estado de SP

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