Governo em maus caminhos

Roubalheira descoberta em operação da Polícia Federal abala governo Renan Filho

Investigação de órgãos federais aponta esquema milionário na Secretaria de Educação de Alagoas

16/09/2019 por Redação

Após seis anos no comando do Estado, o governador Renan Filho (MDB) se vê envolto em denúncias e acusações de crimes em sua gestão. A Operação Casmurros, deflagrada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal na última quarta-feira (11), levou à cadeia servidores comissionados da Secretaria da Educação, pasta controlada pelo secretário e vice-governador, Luciano Barbosa (MDB), e também o diretor-presidente da Agência de Modernização da Gestão e Processos (Amgesp), Wagner Morais, amigo pessoal do governador e que o acompanha desde a época em que ele era prefeito de Murici. Diante dos fatos vindos à tona, o chefe do Executivo preferiu criticar a ação da PF e culpar a Justiça, mas as investigações em curso podem comprometer ainda mais o núcleo governamental.

Em passagem pelo Agreste, um dia após a operação, para inaugurar um Centro Integrando de Segurança Pública, em São Sebastião, Renan Filho buscou desqualificar a ação da Polícia Federal na Educação, ao sugerir que o Estado estaria preparado para prestar os esclarecimentos, antevendo e reconhecendo que algo de errado acontecia em sua administração.

Na ocasião, ele também procurou jogar a culpa na empresa Bioética, que presta serviços de transporte escolar para a rede estadual há cinco anos, acusando-a de chantagem e de agir de forma criminosa. A empresa, que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), mantém contrato com o governo, que, segundo o governador, teria ocorrido em cumprimento a decisão da Justiça. Renan Filho buscou mais uma vez se eximir de qualquer culpa pelas irregularidades.

Nesse contexto, Renan Filho precisa esclarecer como ?não tinha conhecimento? das ações de seu amigo e todo todo-poderoso comandante dos certames licitatórios do governo do Estado, Wagner Morais, um dos que se encontram detidos na carceragem da PF, em Maceió. Da mesma forma, o secretário e vice-governador Luciano Barbosa deve explicações sobre o envolvimento de servidores em cargo de comissão, ou seja, escolhidos para as funções pela gestão dele e que também foram presos na operação Casmurros, que citou desvios de R$ 8,5 milhões no contrato para o transporte escolar com a empresa Bioética, valor que segundo a polícia pode chegar a R$ 21 milhões.

Antes mesmo da operação Casmurros, Luciano Barbosa já era aguardado para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa Estadual (ALE) sobre o não pagamento de R$ 20 milhões em prêmios prometidos a centenas de escolas que se destacaram no projeto Escola 10, criado pela gestão Renan Filho.

Os deputados também querem saber sobre o retorno ao governo federal de R$ quase R$ 28 milhões destinados para diversas ações em Alagoas, inclusive a educação de jovens e adultos, reformas, capacitação de professores e qualificação profissional, entre outras ações, conforme denúncia feita pela Gazeta de Alagoas.

Até agora o secretário ainda não falou nada sobre a falta de gestão em sua pasta e ao tomar conhecimento das críticas feitas por parlamentares da oposição, Barbosa usou rede social para tripudiar da situação e chegou a declarar que ?enquanto os cães ladram a caravana passa?, frase que provocou ainda mais insatisfação no parlamento alagoano.

O caldo engrossou e o secretário terá que explicar agora os crimes identificados pela PF e Controladoria Geral da União na Educação de Alagoas e que ele, assim como o governador, dizem não ter nada a ver com a situação.

Desde o início de sua gestão, Renan Filho deixou claro em vários momentos que quem comanda o Executivo é ele e mesmo nas negociações políticas para a composição do governo, jamais deixou de escolher os secretários para as pastas mais importantes e com maior volume de recursos, a exemplo da Educação e da Saúde, esta última também sob a acusação de montagem de esquema, desbaratado pela PF na Operação Correlatos, em 2017, e que poderia ter movimentado R$ 237 milhões para a compra fracionada de medicamentos. A pasta, à época, estava comandada por Rosângela Wyszomirska e negou qualquer envolvimento nas irregularidades.

Com os acontecimentos desta semana, o governo Renan Filho se vê mais uma vez com a Polícia Federal batendo em sua porta com a descoberta de novos crimes.

O secretário Luciano Barbosa, ex-prefeito de Arapiraca por dois mandatos, também é conhecido no meio político como centralizador. Em sua gestão no Executivo arapiraquense, cargos em comissão eram contratados apenas após o aval dele, assim como todo o secretariado. Agora, com a descoberta de crimes na Educação estadual, tem se postado como se nada soubesse do que acontecia, assim como prática adotada por seus comissionados.

Prova clara da centralização das ações da Secretaria da Educação na sede, em Maceió, foi dada mais de uma vez esta última semana pela 5ª Gerência Regional de Ensino (5ª GERE), com sede em Arapiraca, após mais uma paralisação dos motoristas de transporte escolar, que estão com salários atrasados há quatro meses.

Ao serem questionados por estudantes e professores em busca de solução para o problema, os servidores que atuam no local, informavam que a questão era tratada diretamente pela pasta, na capital, ou seja, sob o comando de Barbosa e que nada podiam fazer ou dizer à solução do problema.

As investigações da Operação Casmurro prosseguem para análise do material apreendido, que envolve mais de R$ 55 mil em espécie, dezenas de extratos bancários e HDs. Há 15 presos, sendo seis lotados na secretaria comandada há seis anos por Luciano Barbosa.

Com a apressão, a expectativa é que os produtos sejam submetidos à perícia, dando luz aos relatórios subsequentes com informações fundamentais, que podem ajudar as equipes das instituições federais a desvendar o esquema criminoso. Segundo a Polícia Federal, apenas uma pequena parte dos pagamentos suspeitos foi analisada, restando dezenas de outros.

O contrato que é alvo de investigação é entre o governo do Estado e a empresa Bioética Gestão de Pessoal. A relação entre as partes envolveu mais de R$ 70 milhões nos últimos anos


Fonte: Gazetaweb.com

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