Redução nas greves

Crise e penúria reduzem greves

Para analistas, a redução das mobilizações pode ser explicada por fatores que incluem a perda de receitas dos sindicatos com a reforma trabalhista.

16/09/2019 por Thais Carrança

O número de greves promovidas no país caiu 41% nos primeiros seis meses deste ano em relação a igual período de 2018, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Foram 529 paralisações de janeiro a junho e 899 no mesmo intervalo do ano passado. A queda foi puxada pelo setor público, com recuo de 51%, mas também houve baixa relevante na esfera privada, de 27%.

Para analistas, a redução das mobilizações pode ser explicada por fatores que incluem a perda de receitas dos sindicatos com a reforma trabalhista; o clima de temor entre servidores; o pessimismo com relação à possibilidade de sucesso diante da situação fiscal dos governos; e a economia fraca e o desemprego elevado .

O país registrou seu maior número de greves em 2016, quando houve 2.114 paralisações. Desde então, os movimentos diminuíram, para 1.568 em 2017 e 1.435 em 2018. Segundo Rodrigo Linhares, técnico do Dieese, a queda no primeiro semestre é parte desse movimento maior, que seria uma “volta ao normal”, após um pico que destoou da média histórica.

No primeiro semestre, as greves no setor privado superaram as do público, invertendo a tendência dos últimos cinco anos. As paralisações do funcionalismo somaram 236, contra 481 um ano antes. Nas estatais, houve apenas 22, queda de 50%. Para Linhares, a menor mobilização entre os servidores também resulta de cálculo político, da avaliação de que não vale a pena arriscar num momento em que o ganho não é plausível.


Fonte: pressreader.com - Valor Econômico

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