Crise na Argentina

FMI virou fardo pesado para Macri

Macri parecia estar bem equipado para o desafio. Multimilionário e amigo de Donald Trump, projetava uma imagem de competência, perspicácia para os negócios e realismo moderado.

03/09/2019 por Michael Stott e Benedict Mander

Passados 15 meses, o gigantesco pacote de US$ 50 bilhões oferecido pelo FMI à Argentina se tornou um fardo pesado nas costas do presidente Mauricio Macri. Eleitores furiosos com a recessão deram uma dolorosa mostra de sua insatisfação em 11 de agosto, quando o peronista Alberto Fernández venceu as prévias eleitorais.

Com o pacote fracassando, surgem dúvidas: por que o FMI pôs tanto dinheiro para apoiar um programa que ruiu em apenas um ano e meio. “Eles foram pegos no mesmo tipo de euforia dos investidores. Pensaram que os argentinos estavam aderindo ao consenso de Washington”, diz Benjamin Gedan, do centro de estudos Wilson Center, em Washington.

Macri parecia estar bem equipado para o desafio. Multimilionário e amigo de Donald Trump, projetava uma imagem de competência, perspicácia para os negócios e realismo moderado, conjunto que era um alívio para os investidores depois do populismo de Cristina Kirchner.

Ao assumir, ele queria evitar o pedido de socorro ao FMI, que tem péssima imagem no país. E optou por abordagem gradual para consertar a bagunça deixada por Kirchner. Por dois anos, o plano pareceu funcionar. Mas os grandes déficits exigiam uma fonte de divisas para financiá-los. E Macri precisou recorrer ao FMI em 2018. Já era tarde.


Fonte: pressreader.com - Valor Econômico

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