Brasil

Encontros Faz Diferença debate medicina reprodutiva nesta quarta-feira

Especialistas Wellington Andraus e Dani Ejzenberg irão conversar sobre estudo pioneiro que trouxe esperança para mulheres que não possuem útero

19/08/2019 por Rafaela D'Elia*

Integrantes da equipe responsável pelo nascimento do primeiro bebê no mundo gerado em um útero transplantado a partir de uma doadora morta, os especialistas Dani Ejzenberg e Wellington Andraus são os convidados do Encontro Faz Diferença que acontece nesta quarta (21/8) na Casa Firjan, em Botafogo, no Rio. Na pauta, os novos caminhos da medicina reprodutiva .

Pela pesquisa que resultou naquele feito médico, a dupla, que é vinculada ao Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), ganhou o prêmio Faz Diferença O GLOBO deste ano, na categoria Ciência e Saúde — parte da equipe, Edmund Baracat e Luiz Carneiro também foram laureados. O trabalho deles foi reconhecido pela comunidade médica internacional e publicado na revista Lancet.

— Essa é uma forma inovadora de as mulheres que nascerem sem útero, o que ocorre em uma a cada quatro mil delas, poderem engravidar — explica o ginecologista Dani Ejzenberg. — Mas existem também mulheres que perderam o útero de forma inesperada, como em decorrência de um mioma ou de um câncer de colo de útero ou até roblemas em uma gravidez prévia. Elas também podem se beneficiar — complementa.

A pesquisa foi inspirada em uma paciente da Turquia que, em 2012, conseguiu receber o útero de uma doadora morta, mas não teve uma gestação bem-sucedida, passando por cinco abortos. Os médicos envolvidos no transplante brasileiro fizeram uma especialização na Suécia em 2013, onde há registros de diversos transplantes de útero bem-sucedidos, porém a partir de doadoras vivas, geralmente de mães para as suas filhas.

— A vantagem do transplante com doadora falecida é que não é preciso expor uma paciente a uma cirurgia de grande porte, que pode durar até 10 horas e inclui a retirada de vasos sanguíneos. Além disso, há um custo menor — esclarece Ejzenberg.

Ele enfatiza que a doação de útero não carrega nenhuma característica genética da doadora para o feto que será gerado. Agora, os médicos pretendem conseguir estabelecer a experiência bem-sucedida como uma possibilidade comum de auxílio na fertilização de mulheres que não possuem útero.

— Muitas pessoas que não estão perto de mulheres que têm esse problema não sabem o quanto isso é aflitivo para elas. Após o parto ter sido bem-sucedido, muitas vieram nos procurar querendo saber se poderiam fazer o procedimento. É muito importante para essas mulheres quando elas veem uma nova perspectiva de poder engravidar — avalia Andraus, especialista em transplante de órgãos.

A doação de útero ainda é considerada experimental e, portanto, depende de investimentos destinados à pesquisa. Ela ainda não é autorizada, mesmo que na prática particular da medicina.

Além de explicar as etapas que resultaram no nascimento da primeira criança gerada por útero de uma paciente com morte cerebral, os especialistas irão explicar como são feitos os transplantes.

— O Brasil possui um programa nacional de transplante bem consolidado, com índices crescentes de órgãos doados, como fígado, rins e pâncreas. Parte dos doadores são mulheres em idade fértil, que poderiam doar o útero para as que não o possuem. Estamos, portanto, "desperdiçando" órgãos no Brasil todo. Nosso objetivo é conseguir normatizar o procedimento, criar uma metodologia segura e estabelecida para que seja reconhecido como uma nova forma de tratamento — revela Andraus

A palestra também irá abordar as etapas da fertilização in vitro, que completa 40 anos. As principais etapas são o estímulo da ovulação, a aspiração dos óvulos, a fecundação dos embriões e o congelamento.


Fonte: https://oglobo.globo.com

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