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Brasileira que participou de protestos em Hong Kong diz que ameaça chinesa não vai parar manifestantes

'Jovens, crianças, famílias inteiras vão aos protestos. É de arrepiar', afirmou. Cônsul diz que comunidade brasileira está preocupada, mas não sofre impacto direto das manifestações.

19/08/2019 por Por Letícia Macedo, G1

A brasileira Eleonor*, que mora em Hong Kong desde 2012, participou das primeiras manifestações populares pró-democracia no território semiautônomo e não acredita que as ameaças chinesas irão conter a onda de protestos.

Há mais de dois meses, a ex-colônia britânica é palco de grandes mobilizações populares contra o que os manifestantes consideram uma crescente influência da China e o governo de Carrie Lam, acusada de ser pró-Pequim.

Na semana passada, tropas chinesas foram posicionadas em Shenzhen, cidade vizinha a Hong Kong, após o governo chinês dizer que havia identificado sinais de terrorismo durante os protestos.

“Eu acho que os chineses têm a intenção de fazer os manifestantes sentirem medo e desistirem de ir adiante. Mas eles vão continuar, sim. Eu acho que as tropas só entrariam em Hong Kong no último caso”, diz a autônoma de 31 anos, que foi moradora do Rio de Janeiro.

Eleonor foi às ruas no início do movimento, que começou em 9 de junho ao mesmo tempo em sete distritos estratégicos de Hong Kong. A mobilização começou por causa de um projeto de lei - atualmente suspenso- que previa a extradição de cidadãos de Hong Kong para julgamento na China.

Posteriormente, os manifestantes ampliaram a pauta de reivindicações e dizem que lutam contra a erosão do arranjo "um país, dois sistemas" - que confere certa autonomia a Hong Kong desde que a China retomou o território do Reino Unido em 1997.

“Jovens, crianças, famílias inteiras vão aos protestos. É de arrepiar. Os manifestantes são gentis, educados. Ônibus e ambulâncias passam no meio do protesto. Mas, infelizmente, a polícia começou a repreender cada vez de maneira mais agressiva”, conta.

Manifestantes usam roupas pretas e muitos cobrem os rostos com medo de serem identificados pelas autoridades e sofrerem sanções judiciais.

“Tem um grupo que fica à frente e, por isso, usam muito guarda-chuva por causa do gás lacrimogêneo e do spray de pimenta. O grupo que está mais atrás é pacífico, são pessoas que querem protestar”, conta.

No início, os protestos foram majoritariamente pacíficos e, com o passar do tempo, foram registrados confrontos com as forças de segurança - o que teria afastado alguns participantes, embora a mobilização siga firme como mostra a manifestação pacífica que reuniu milhares no domingo. Apesar da chuva, organizadores dizem que levaram 1,7 milhão às ruas. O governo local fala em 128 mil. A CNN não pode verificar as informações de maneira independente.

Segundo a brasileira, que em outras ocasiões houve relatos de que policiais disfarçados foram infiltrados no movimento “para provocar confusão, poder acusá-lo de baderneiro e poder prender seus integrantes”.

Eleonor deixou de ir por medo de prejudicar o marido, que abdicou da nacionalidade brasileira. “Eu vi poucos estrangeiros nas ruas. Eu tenho medo de ser identificada e que a política de Hong Kong aja para prejudicar uma possibilidade de trabalho do meu marido na China”, conta.

'Hong Kong longe de ser livre'
“Porém, eu apoio a ideia de brigar pela liberdade, me incomoda a falta de liberdade de pensamento mesmo antes da liberdade de expressão. É melhor que a China? É, porque você vê um pouco mais de liberdade, mas está longe de um país onde as pessoas podem protestar ou decidir alguma coisa”, afirma.

Para a autônoma, os moradores de Hong Kong são muito obedientes com relação às determinações do governo. “O governo determina e, assim, é feito. Isso é bom por um lado: as coisas funcionam justamente porque eles obedecem às leis”, observa.

“Porém, tem um lado ruim: eles não têm liberdade para pensar ‘fora da casinha’ nunca. Até por isso esse movimento é tão revolucionário mesmo que nós sejamos sufocados”.

A brasileira acredita que a ideia de “busca pela liberdade e a certeza de que o povo tem poder contra os desmandos do governo local, que é visto como governo chinês disfarçado, ficarão para sempre implantados na cultura local”.

‘Não temos escolha’

A consultora de negócios internacionais gaúcha Jéssica Franz, que mora há sete anos no território semiautônomo, não foi às ruas, mas tem amigos que foram e também não acredita os manifestantes vão desistir por causa das ameaças feitas pela China até aqui.

“A maioria dos manifestante é composta de jovens, estudantes. Eles têm medo do que possa ocorrer, sim, mas isso não será motivo para que eles desistam. Apesar do medo de serem atacados, a resposta deles é sempre ‘não temos escolha, precisamos sair às ruas’ ”, afirma.

Jéssica disse que amigos nascidos em Hong Kong demostram tristeza e bastante preocupação com o futuro. “Eles se sentem sozinhos, sem um governo local que os proteja, que realmente os escute. Por isso, acreditam que devem lutar pelos seus direitos já que ninguém lutará por eles”, observa.

Ela conta que, quando os protestos acontecem na semana, muitas empresas orientam os funcionários a não saírem de casa.

“Eles pedem que os funcionários façam de home office para evitar pegar transporte público ou andar na rua. Em um dos maiores protestos ocorridos, o comércio fechou cedo (no meio da tarde) o que é bastante incomum em Hong Kong, que é uma cidade em que o comércio funciona de domingo a domingo”, conta.

Jéssica já morou um ano na China continental e vê Hong Kong como um país totalmente diferente.

Jéssica disse que amigos nascidos em Hong Kong demostram tristeza e bastante preocupação com o futuro. “Eles se sentem sozinhos, sem um governo local que os proteja, que realmente os escute. Por isso, acreditam que devem lutar pelos seus direitos já que ninguém lutará por eles”, observa.

Ela conta que, quando os protestos acontecem na semana, muitas empresas orientam os funcionários a não saírem de casa.

“Eles pedem que os funcionários façam de home office para evitar pegar transporte público ou andar na rua. Em um dos maiores protestos ocorridos, o comércio fechou cedo (no meio da tarde) o que é bastante incomum em Hong Kong, que é uma cidade em que o comércio funciona de domingo a domingo”, conta.

Jéssica já morou um ano na China continental e vê Hong Kong como um país totalmente diferente.


Fonte: https://g1.globo.com

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